Israel avança com tropas no sul do Líbano e continua bombardeando Beirute

O Líbano foi arrastado mais profundamente para a guerra no Oriente Médio nesta terça-feira, quando o grupo libanês Hezbollah, apoiado pelo Irã, lançou mísseis contra Israel pelo segundo dia consecutivo e Israel enviou tropas para o sul do país e lançou ondas de ataques aéreos.

Vizinho de Israel ao norte e palco de inúmeros conflitos entre Israel e o Hezbollah, o Líbano havia evitado os efeitos colaterais do ataque EUA-Israel ao Irã até segunda-feira, quando o Hezbollah abriu fogo com drones e mísseis.

Com dezenas de mortos em ataques aéreos retaliatórios, a entrada do Hezbollah no conflito acirrou as divisões de longa data no Líbano sobre seu status como grupo armado – a única facção libanesa a manter suas armas após a guerra civil de 1975-90.

Na segunda-feira, o governo tomou a medida sem precedentes de proibir as atividades militares do Hezbollah. O jornal pró-Hezbollah Al-Akhbar condenou a medida na terça-feira como uma “capitulação às imposições, que poderia até levar ao início de uma guerra civil”.

Colunas de fumaça se elevavam dos subúrbios do sul de Beirute, controlados pelo Hezbollah, enquanto Israel lançava novos ataques aéreos. Milhares de libaneses fugiram de suas casas em áreas que sofreram o impacto de uma grande guerra entre Israel e o Hezbollah em 2024. As Nações Unidas afirmaram que, até segunda-feira, cerca de 29 mil pessoas, incluindo 9 mil crianças, haviam fugido.

Um porta-voz da agência da ONU para refugiados disse que 30 mil libaneses tiveram que deixar suas casas e foram registrados em abrigos coletivos, enquanto “muitos outros dormiram em seus carros à beira das estradas”.

Os militares israelenses disseram ter enviado tropas adicionais para o sul do Líbano durante a noite, alegando que o objetivo era ocupar posições defensivas para se protegerem de qualquer possível ataque do Hezbollah. “Estamos na área da fronteira apenas de forma defensiva para impedir ataques contra civis e pontos estratégicos importantes”, disse o tenente-coronel Nadav Shoshani.

O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou em comunicado que havia autorizado o avanço das tropas e a tomada de controle de posições adicionais. Ele disse que as forças israelenses foram autorizadas “a avançar e assumir o controle de posições estratégicas adicionais no Líbano, a fim de evitar ataques a comunidades israelenses na fronteira”.

Na noite de segunda-feira, os militares israelenses ordenaram a evacuação dos moradores de toda a faixa fronteiriça do sul do Líbano. Uma fonte do Exército libanês afirmou que as forças israelenses avançaram a partir da região de Kfar Kila, numa aparente tentativa de “estabelecer um amplo cinturão de segurança no sul do Líbano”.

Uma fonte de segurança libanesa afirmou que as tropas israelenses estavam realizando incursões em algumas partes da fronteira. Testemunhas disseram que o Exército libanês havia se retirado de pelo menos sete posições operacionais avançadas ao longo da fronteira.

Israel manteve algumas tropas no sul em várias posições no topo de colinas após o cessar-fogo na guerra de 2024.

O Sul, predominantemente muçulmano xiita, há muito tempo é um importante reduto do Hezbollah, onde o grupo obteve apoio político e posicionou armamentos antes do conflito de 2024. O exército libanês entrou na área e apreendeu seus depósitos de armas desde o conflito, do qual o Hezbollah saiu bastante enfraquecido.

O Hezbollah anunciou três ataques separados na terça-feira, usando drones e mísseis, e afirmando que estes tinham como alvo instalações militares no norte de Israel. Um míssil disparado do Líbano atingiu uma casa no norte de Israel, informou a mídia israelense. O serviço de ambulâncias de Israel disse que um homem foi tratado por ferimentos causados por estilhaços de vidro.

O presidente libanês, Joseph Aoun, disse que os foguetes disparados contra Israel na segunda-feira, vindos do Líbano, estavam fora da zona da fronteira sul onde o Exército declarou seu controle em janeiro. O Ministério da Saúde libanês informou na segunda-feira que 52 pessoas foram mortas em ataques israelenses no Líbano e mais de 150 ficaram feridas. Não houve atualização na terça-feira.

Durante a noite, um ataque aéreo israelense atingiu a sede da emissora Al-Manar, do Hezbollah, em Beirute. Os militares israelenses relataram mais ataques aéreos em Beirute na terça-feira, afirmando ter atingido “centros de comando, depósitos de armas e componentes de comunicação via satélite pertencentes à sede de inteligência do Hezbollah em Beirute”.