
A polarização político-ideológica no Brasil avança em terreno extremamente perigoso. Nesse quadro, que causa enorme preocupação, entrou em cena o vale-tudo. CPIs foram transformadas em cadafalsos para degolar adversários políticos, de olho nas eleições de outubro próximo. Pessoas são convocadas depor, sem que exista nexo causal que justifique a convocação.
Não obstante, dados pessoais dos convocados e troca de mensagens, que estão sob sigilo, são vazadas com o intuito de fustigar adversários políticos, ignorando que o vazamento atropela o direito à ampla defesa. Por outro lado, o vazamento serve para a construção de narrativas mentirosas, as quais condenam por antecipação e induzem a opinião pública a erro.
No caso do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que teria trocado mensagens com Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, o vazamento de informações remete a juízo de valor, sem que haja comprovação cabal do aludido contato entre as partes.
Considerando que as mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro não apresentam qualquer indício de crime, pois não é possível recuperar o conteúdo delas, de acordo com entendimento da Polícia Federal, arrastar o ministro para o olho do furacão do Banco Master é no mínimo leviandade.

O simples fato de o número do telefone de um ministro do STF constar da lista de contatos de Vorcaro representa um escárnio, mas é necessário respeitar o benefício da dúvida. É importante destacar que Daniel Vorcaro circulou com desenvoltura na seara do gangsterismo, ou seja, não se deve descartar a possibilidade de o celular de Moraes ter sido clonado para tal fim. Aliás, Vorcaro não está em prisão de segurança máxima por causa de bom-mocismo.
Quem conhece os bastidores do Congresso Nacional sabe quem está por trás do vazamento de informações que foram confiadas às CPIs. Por outro lado, a divulgação dos dados vazados por alguns órgãos de imprensa serve para alimentar o que chamamos de “jornalismo de sarjeta”.
A grande questão é que a grande imprensa necessita cada vez mais de “furos de reportagem” para sair à frente da concorrência e auferir lucros, não importando a veracidade e a confiabilidade dos dados vazados e divulgados. O editor do UCHO.INFO foi vítima de um grande veículo de imprensa, que perdeu terreno para um jornalista solitário e independente no fatídico caso do Dossiê Cayman. O veículo publicou matéria inventada por um jornalista criminoso, sem se preocupar com os danos provocados.
Sabem os leitores sabem que não temos políticos de estimação, muito menos juízes, mas nosso compromisso é com o bom jornalismo e a verdade dos fatos. Havendo provas e respeitado o direito ao devido processo legal e à ampla defesa, que os implicados paguem por seus erros.





