
O Irã anunciou, no domingo (8), Mojtaba Khamenei como novo líder supremo. Ele sucede ao próprio pai, o aiatolá Ali Khamenei, morto na operação militar de Estados Unidos e Israel que, há nove dias, deu início a uma guerra no Oriente Médio.
Com o regime dos aiatolás sob ataque, a própria sobrevivência da teocracia persa se vê sob risco. Depois da morte de Khamenei pai, o país chegou a ser governado interinamente por um conselho provisório até a eleição de um novo líder supremo.
A escolha dessa figura, que carrega não só grande poder político, como também simbolismo religioso, cabe à Assembleia de Peritos, um órgão composto por 88 clérigos, eleitos a cada oito anos e formado, em grande parte, por idosos.
A nomeação de Mojtaba é vista como um sinal de continuidade do regime linha dura do pai, após o governo iraniano rejeitar a pretensão do presidente dos EUA, Donald Trump, de influenciar a decisão.
Trump já havia dito que a condução do filho de Khamenei ao posto máximo do Irã seria “inaceitável”. Segundo o americano, um novo líder, que já é sancionado pelos EUA, não deverá “durar muito” sem a sua aprovação.
Já o ministro israelense da Defesa, Israel Katz, avisou na semana passada que qualquer um que fosse escolhido para suceder a Khamenei pai seria um “alvo a ser eliminado”.
Quem é o novo líder supremo
Aos 56 anos, Mojtaba Khamenei é frequentemente descrito como discreto, enigmático e, ao mesmo tempo, uma das personalidades mais influentes da política iraniana. Ele é conhecido por ser muito próximo da poderosa Guarda Revolucionária iraniana, que para muitos observadores é quem de fato manda no país.
Mojtaba não será apenas o líder político, mas também a autoridade máxima do xiismo, corrente minoritária no islamismo, mas predominante no Irã e com grande presença em países como Iraque, Síria e Líbano.
Nascido em Mashhad dez anos antes da Revolução Islâmica (1979), Mojtaba já era tido como forte candidato ao mais alto cargo de poder do regime, apesar de nunca ter exercido nenhum cargo público, sendo uma figura descrita como um “especialista” nos bastidores.
Com a subida Ruhollah Musavi Khomeini ao topo da hierarquia do atual regime teocrático, após a deposição do xá Reza Pahlavi, em 1979, a família de Khamenei mudou-se para a capital iraniana.
Khamenei combateu na Guerra Irã-Iraque, na década de 1980, integrado no batalhão Habib ibn Mazahir, uma divisão da Guarda Revolucionária da qual muitos membros saíram para funções nos serviços secretos e de informações.
Documentos do governo americano publicados pelo Wikileaks descrevem o agora eleito aiatolá como “o poder atrás da cortina”, alegando que o próprio teria colocado o telefone do pai sob escuta e formado uma base autônoma de apoio nos corredores do poder do país.
Washington sancionou o novo líder supremo iraniano em 2019, no primeiro mandato de Trump, sob a acusação de que Mojtaba promovia “ambições regionais desestabilizadoras” e “opressão interna”.
Foi também acusado de ter apoiado a eleição do presidente de “linha-dura” Mahmoud Ahmadinejad, ainda em 2005, e a sua contestada reeleição de 2009, que desencadeou os protestos do “Movimento Verde”.
O novo líder supremo do Irã também é apontado como controlador financeiro de empresas da família Khamenei que operam ao menos 60% da economia do país e que, segundo uma reportagem da Bloomberg, atuam sob nomes de laranjas em Dubai e na Europa.
Além de ter o pai morto nos bombardeios a Teerã em 28 de fevereiro, Mojtaba perdeu também no mesmo dia a mãe, Mansoureh Khojasteh Bagherzadeh, um filho e a mulher, Zahra Adel.

Autoridade política e militar
O sistema teocrático do Irã remonta à Revolução de 1979, que derrubou o Xá. O aiatolá Ruhollah Khomeini introduziu, então, um novo sistema de governo, pelo qual o poder na Terra deve ser exercido por um clérigo venerável.
Por isso, o líder supremo, autoridade máxima estabelecida pela Constituição, responsável por orientar o presidente e o Parlamento eleitos, deve ser um alto clérigo.
O presidente e o Parlamento, eleitos pelos iranianos para mandatos de quatro anos, conduzem a política cotidiana, dentro dos limites permitidos pelo líder supremo. Nos primeiros anos da República Islâmica, as eleições atraíam participação em massa. Mas bem menos iranianos ainda têm fé na política eleitoral.
Sob Khomeini, que morreu em 1989, e Khamenei, que governou desde então, o líder supremo teve a última palavra em todos os assuntos de Estado.
Mojtaba precisará, portanto, afirmar sua autoridade em um momento de enorme ruptura para a história do Irã.
Khamenei nunca nomeou publicamente um sucessor preferido, deixando, na prática, a decisão nas mãos das figuras mais sêniores da República Islâmica, que detiveram poder sob a sua autoridade por muitos anos.
A figura mais importante entre esses veteranos é o conselheiro de longa data de Khamenei, Ali Larijani, amplamente visto como o principal articulador de poder do Irã. (Com agências internacionais)






