Trump fracassou ao tentar dividir com outros países os efeitos da guerra contra o Irã

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump sabia ser desnecessária a guerra com o Irã, mas preferiu acreditar no palavrório inconsistente do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que usa a beligerância para manter-se no cargo e evitar a prisão.

Trump, por sua vez, vale-se da esquizofrenia institucional para arrumar confusões por toda parte, como forma de desviar a atenção da opinião pública, ávida por saber detalhes do escândalo sexual comandado Jeffrey Epstein, no qual o presidente dos EUA está envolvido, assim como políticos e personalidades.

Ciente de que a guerra contra o Irã não acabará tão cedo, afinal Teerã tem resistido e reagido de maneira surpreendente, Trump começa a se preocupar com os efeitos colaterais do fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo comercializado no planeta. Além de bloquear o acesso ao Golfo Pérsico, a Guarda Revolucionária iraniana espalhou várias minas marítimas na região.

Na esperança de tentar liberar o tráfego de navios no Estreito de Ormuz, Trump solicitou a países da União Europeia e à Austrália o envio de embarcações de guerra para não comprometer a economia global por causa do desabastecimento de petróleo e a consequente elevação do preço do produto, que está acima dos US$ 100 o barril.


 
Marcada pelo desespero e cercada por falácias de todo tipo, a investida de Donald Trump fracassou. Os governos dos países chamados a marcar presença militar em Ormuz simplesmente disseram não, alegando que a guerra é fruto da irresponsabilidade do presidente norte-americano, que insiste em apoiar Netanyahu em suas incursões bélicas.

Aos congressistas e ao povo dos EUA, Donald Trump justificou a guerra contra o Irã com a tese mambembe de que era preciso proteger o país e os americanos. Quando invadiu a Venezuela e embarcou no ataque ao Irã, o republicano viu nesses dois cenários a possibilidade de emparedar a China comercialmente. Como sempre, o líder chinês, Xi Jinping, continua frio, calculista e impávido.

Se o mote da guerra contra o Irã é proteger o território estadunidense e sua população, o melhor que Donald Trump pode fazer é começar a se preocupar com o líder norte-coreano Kim Jong-un, que continua fazendo o que bem entende no campo da energia nuclear.

Sob o comando de Kim Jong-un, a Coreia do Norte desenvolveu e tem testado com sucesso mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs) capazes de atingir o território dos Estados Unidos. Os testes mais recentes, incluindo o de outubro de 2024, revelaram mísseis com capacidade de percorrer distâncias superiores a 15.000 km, o que cobre todo o continente americano. Contudo, Trump decidiu atacar o regime dos aiatolás.