
Quando, pela primeira vez, afirmamos que o Brasil tornou-se refém do banditismo político, muito se rebelaram contra o nosso entendimento. Anos antes, destacamos a importância de a população se interessar por assuntos da política, sob pena de o País avançar a passos largos na direção da inviabilidade. O tempo passou e a realidade está posta.
O criminoso esquema envolvendo o orçamento secreto é prova inconteste de que estávamos certos em ambas as situações. Com a questão fiscal permanentemente na corda bamba, o governo federal depende do pagamento de emendas parlamentares duvidosas caso queira aprovar no Congresso Nacional alguma matéria de seu interesse.
O vale-tudo, ao que parece, circula sem cerimônia na Praça dos Três Poderes, alimentando polêmicas e escândalos de toda ordem. Os rumorosos casos que gravitam na órbita do Banco Master, palco de fraude bancária bilionária, são inaceitáveis. Seus protagonistas, após minuciosa apuração, devem ser punidos com o máximo rigor da lei, independentemente do status dos envolvidos.
Como se o brasileiro fosse desprovida de capacidade para interpretar escândalos, autoridades fazem de familiares seus braços avançados no terreno do escárnio. As mais novas polêmicas envolvem o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), cuja trajetória política dispensa apresentações, e o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Uma empresa aberta recentemente por Arthur Cesar Pereira de Lira Filho, filho do deputado federal Arthur Lira (ex-presidente da Câmara dos Deputados), recebeu pagamento de R$ 250 mil da J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. O pagamento foi feito pouco depois da constituição da empresa.
A transação foi considerada como “atípica” em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Um dos motivos do alerta do Coaf para esses pagamentos é o não envolvimento de fornecedores com atividade econômica compatível com a da J&F (holding).
A assessoria do ex-presidente da Câmara afirmou que seu filho prestou serviços de publicidade e marketing à J&F e possui “diversos clientes corporativos”. Uma empresa criada recentemente tem no portfólio “diversos clientes corporativos”. No mínimo estranho.
Por outro lado, o advogado Kevin de Carvalho Marques, de 25 anos, filho do ministro Kassio Nunes Marques, conquistou no primeiro ano de atividade profissional mais de 500 clientes e “resolvido” pelo menos 1 mil processos. O próprio Kevin anunciou o feito em seu sítio eletrônico oficial.
A assessoria do advogado – um ano de advocacia e já tem assessores – afirmou, em nota, que o site era uma versão preliminar, publicada por engano, e uma página será disponibilizada quando concluída. Há um detalhe curioso nesse imbróglio: com mais de 500 clientes e mil processos solucionados, Kevin Marques divide o escritório com a tia.





