Patético, encontro de Flávio Bolsonaro com Trump foi marcado por hipocrisia, sabujice e incoerência

Senador pelo Rio de Janeiro e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro rumou para Washington D.C. com o fim específico de conseguir uma foto ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A imagem divulgada nas redes sociais logo após o rápido encontro foi uma tentativa de conter os efeitos colaterais do escândalo envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento parcial do filme “Dark Horse.

Flávio desembarcou na capital norte-americana sem a certeza de que seria recebido na Casa Branca. Diferentemente do que foi alardeado pelo entourage bolsonarista, não houve convite de Trump para o encontro, mas Flávio ficou implorando para ser recebido na sede do governo dos EUA. Para tanto contou com a ajuda do irmão, Eduardo Bolsonaro (Dudu Bananinha), e de Paulo Figueiredo, neto do último representante da ditadura militar (João Batista Figueiredo).

A comitiva de Flávio Bolsonaro tentou vender a ideia de eu o senador foi recebido em audiência, mas a rápida estada na Casa Branca se resumiu à entrega de documentos a assessores e a uma patética foto ao lado de Trump.

Considerando que, de acordo com a sabedoria popular, o “fruto não cai longe do pé” ou “quem sai aos seus não degenera”, Flávio é tão hipócrita quanto o pai.

Para o meteórico encontro com Trump, o senador escolheu uma gravata em tons verde e amarelo, em alusão às cores da bandeira do Brasil. A hipocrisia reside no fato de que Flávio Bolsonaro é filho de um golpista condenado e preso, que fracassou na tentativa de mandar a democracia brasileira pelos ares. Em suma, Flávio tentou vender a ideia e que é patriota, mas trabalha para conseguir anistiar o pai.

O falso patriotismo de Flávio Bolsonaro foi por terra ao não conseguir presentear Trump com uma camisa da seleção brasileira, como se a “amarelinha” fosse propriedade da turba golpista. A camisa da seleção foi retida pela assessoria do presidente dos EUA para a devida averiguação.

Outro ponto delirante da pauta do encontro ficou por conta do suposto pedido de Flávio para que Donald Trump classifique como organizações terroristas estrangeiras as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho.

Em entrevista após o melancólico encontro, Flávio disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi a Washington D.C. para fazer lobby em favor de traficantes, mas ele se posicionou contra as facções. “Enquanto Lula veio à Casa Branca fazer lobby para traficantes, eu vim pedir apoio no combate ao crime organizado”, afirmou.

Se há no Brasil quem não tem moral para fazer qualquer crítica ao crime organizado, esse certamente é Flávio Bolsonaro, que enquanto deputado estadual empregou em seu gabinete na Alerj a mãe e a esposa de Adriano Magalhães da Nóbrega, miliciano do Rio de Janeiro e criador do grupo de matadores de aluguel conhecido como “Escritório do Crime”.

Nóbrega, que morreu em 9 de fevereiro de 2020 no interior da Bahia, emprestava contas bancárias para Fabrício Queiroz, “faz tudo” da família Bolsonaro, para fazer circular o dinheiro proveniente das “rachadinhas”.

Flávio e o irmão Carlos Bolsonaro, então vereador e conhecido como “Carluxo”, apresentaram pedidos de homenagens a pelo menos 16 policiais denunciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como integrantes de organizações criminosas.

Os homenageados foram presos e denunciados em oito das mais importantes operações de combate ao crime organizado no Rio de Janeiro, entre 2006 e 2022: Calabar, Quarto Elemento, Purificação, Intocáveis, Gladiador, Amigos S/A, Segurança S/A e Águia na Cabeça. Nesse grupo, estão Adriano Nóbrega, o major Ronald Pereira e o delegado Allan Turnowski (ex-chefe da Polícia Civil fluminense).

Sobre classificar facções criminosas como como organizações terroristas, o pedido de Flávio Bolsonaro é absurdo e incoerente, pois atenta contra a soberania nacional, já que permitirá aos EUA fazerem em território brasileiro o que fizeram na Venezuela e ameaçam fazer em Cuba.

Resumindo, Flávio Bolsonaro, assim como o próprio clã, insiste em transformar delinquência intelectual e desfaçatez em bandeiras de uma plataforma política que encontra seguidores e apoiadores por toda parte.