Traidores serão sempre traidores!

(*) Lêda Lacerda

O mais assustador da política brasileira atual não é apenas a briga pelo poder. É ver brasileiros trabalhando para enfraquecer o próprio Brasil em nome dessa disputa.

Quando um senador da República atravessa fronteiras para buscar pressão estrangeira contra instituições brasileiras, a pergunta que fica é inevitável: em que momento o interesse político passou a valer mais do que o interesse nacional?

O Brasil tem problemas graves, sim. Tem corrupção, violência, facções criminosas poderosas e uma polarização sufocante. Mas entregar a narrativa do país nas mãos de outro governo nunca deveria ser tratado como patriotismo. Muito menos quando isso pode abrir caminho para interferências externas cada vez maiores.

PCC e Comando Vermelho são facções criminosas violentas e perigosas. Combatê-las é obrigação do Estado brasileiro. Mas transformar tudo em “terrorismo” para internacionalizar disputas políticas cria um precedente delicado. Hoje usam isso contra inimigos políticos; amanhã, quem garante contra quem será usado?

O que revolta muita gente não é apenas a discordância ideológica. É a impressão de que alguns políticos perderam completamente a noção de limite. O adversário virou um inimigo a ser destruído a qualquer custo, mesmo que, para isso, seja preciso desgastar a soberania, a imagem e a estabilidade do próprio país.

Quem deseja governar o Brasil deveria colocar o Brasil em primeiro lugar. Sempre. Antes de partidos, antes de famílias políticas, antes de projetos pessoais e antes da obsessão de impedir a volta deste ou daquele candidato ao poder.

Porque democracia saudável não se constrói chamando potência estrangeira para arbitrar os conflitos internos do país. Se constrói fortalecendo instituições brasileiras, debatendo dentro da lei e respeitando a soberania nacional.

O Brasil já está dividido demais. O que ele menos precisa agora é de brasileiros ajudando a aprofundar essa divisão em troca de vantagem política.

(*) Lêda Lacerda – paulistana, estudou no Colégio Rio Branco e formou-se em enfermagem pela USP. Sempre se interessou por moda e nas horas vagas por escrever sobre experiências de vida. Anos mais tarde, ingressou profissionalmente no universo da moda, tendo também se dedicado à formação de modelos e atores. A paixão pela escrita permanece até hoje, hobby que usa para traduzir em letras a emoção e o amor que marcam seu cotidiano.

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