
Como antecipou o UCHO.INFO nas edições de 3 e 8 de junho, foi rejeitada a segunda proposta de colaboração premiada apresentada pela defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Inicialmente, em 11 de junho, a recusa foi da Polícia Federal (PF), que está frente das investigações no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura a fraude bilionária do liquidado Banco Master.
Nesta segunda-feira (15) foi a vez de a Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitar a proposta de delação. A PGR alegou não haver elementos novos na proposta de delação, apenas um excesso de “ouvi dizer que aconteceu”. Além disso, Vorcaro não se comprometeu efetivamente com a devolução de valores, estimada em R$ 60 bilhões.
Apesar de a PF rejeitar a proposta de delação, a PGR adotou postura cautelosa diante da aludida disposição de Daniel Vorcaro revelar a verdade, a começar pelo envolvimento de políticos e autoridades. No furacão em que se transformou a fraude do Banco Master, os primeiros graúdos que foram dragados pelo escândalo foram os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Contra Nogueira pesa a suspeita de ter recebido mesada do banqueiro que variou entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além de benesses nababescas.

No caso de Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, o caso é mais complexo e rumoroso. O senador trocou mensagens com o ex-banqueiro em que cobra mais recursos para custear o filme “Dark Horse”, cinebiografia do golpista condenado Jair Bolsonaro. Dos R$ 134 milhões solicitados, Vorcaro pagou R$ 61 milhões. Desse total, o ex-banqueiro transferiu, em 13 de fevereiro de 2025, US$ 2 milhões (equivalente à época a R$ 11 milhões) para o fundo fiduciário “Havengate Development Fund LP”, operado pelo advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, o “Dudu Bananinha”.
O mais novo personagem no escandaloso enredo do Master é, de acordo com a revista Veja, o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A publicação destaca que Alcolumbre teria recebido US$ 30 milhões (R$ 153,5 milhões na cotação atual). O montante, segundo a revista, foi depositado em conta secreta no exterior e posteriormente repassado ao senador, que, por razões óbvias nega ter recebido qualquer valor.
Recentemente, Vorcaro disse aos investigadores que pagava valores elevados a determinados políticos como um gesto de amizade. Considerando que a PF continua extraindo dados dos dispositivos eletrônicos apreendidos nas fases da Compliance Zero, Daniel Vorcaro não apenas perde tempo, mas insiste em ignorar o avanço das investigações. Resumindo, o ex-banqueiro caminha na direção de longa temporada atrás das grades.



