
Pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Liberal (PL), o senador Flávio Bolsonaro está experimentando do próprio veneno. Decidido a comprometer o governo do presidente Lula e comprometer a candidatura do petista à reeleição, Flávio acionou o irmão, Eduardo Bolsonaro, o Dudu Bananinha, que sob a alegação de perseguição política fugiu para os Estados Unidos.
Na companhia de Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho, neto do último presidente da ditadura militar (João Batista de Oliveira Figueiredo), Eduardo recorreu à Casa Branca para sancionar autoridades do Judiciário brasileiro e sobretaxar produtos exportados aos EUA. Em outras palavras, Flávio, Eduardo e Figueiredo conspiraram contra o Estado brasileiro, com o intuído de comprometer a pretensão política de Lula.
A estupidez que embala a extrema direita nacional é tamanha, que a cúpula do bolsonarismo sequer consegue avaliar os efeitos colaterais das medidas que defendem ardorosamente.
Sem qualquer projeto para o Brasil, Flávio Bolsonaro, que está a lidar com as consequências da investida da madrasta, chegou à conclusão de que o tarifaço de Donald Trump é prejudicial ao Brasil e pode contribuir para a reeleição de Lula.

A avaliação do presidenciável consta de um documento de 86 páginas apresentado ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), órgão responsável pela investigação comercial contra o Brasil. No documento, Flávio pede a suspensão do tarifaço e alega que a adoção das tarifas produziria efeito contrário ao pretendido por Washington. O tarifaço, segundo Flávio, seria retomado após as eleições de outubro próximo.
No tocante à citação “efeito contrário ao pretendido por Washington”, não cabe ao governo americano a adoção de qualquer medida retaliatória para interferir nos resultados das eleições democráticas brasileiras. Trata-se de ingerência criminosa,
A Flávio pouco importa se a medida adotada por Trump prejudica as exportações brasileiras, desde que ele consiga ser eleito presidente para, na sequência, anistiar o pai golpista, condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Em complementar demonstração de subserviência aos EUA – o chamado complexo de vira-lata –, Flávio Bolsonaro sinalizou à Casa Branca a intenção de, caso seja eleito, retirar o Brasil do Mercosul, não importando as relações comerciais do País com o bloco econômico.
Não será surpresa se, em breve, o PL sugerir a Flávio Bolsonaro que desista da corrida ao Palácio do Planalto e tente a reeleição ao Senado Federal. Aliás, independentemente de quem seja o próximo presidente do Brasil, na próxima legislatura o Congresso Nacional terá muito mais poder de chantagem do que detém atualmente.



