
José de Magalhães Pinto (1909-1996), ex-governador de Minas Gerais e ex-deputado federal, eternizou a frase que tão bem traduz a vulnerabilidade da atividade política, especialmente no Brasil. “Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”, profetizou Magalhães Pinto.
Em que pese o movimento ciclotímico da política brasileira, alguns de seus atores não se envergonham quando o assunto é negar o que foi dito com excesso de convicção. Dono de currículo que dispensa apresentação e à frente do PL, legenda que está imbricada na fracassada tentativa de golpe de Estado, Valdemar Costa Neto agora nega que tenha indicado emendas parlamentares.
Alvo de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou o bloqueio de R$ 119 milhões em bens e valores, Costa Neto disse publicamente, durante entrevista à GloboNews, que indicar emendas parlamentares faz parte de suas atribuições como dirigente partidário.
“É lógico (que presidentes de partidos interferem na destinação de emendas). É função do presidente cuidar do partido. Quem tem a visão nacional do partido é o presidente”, disse Valdemar.
Nesta segunda-feira (20), em petição encaminhada ao STF, a defesa do presidente do PL sustenta ele não possui qualquer poder formal sobre emendas parlamentares.
Os advogados acrescentam que costa Neto “não dispõe de cota, reserva, titularidade, propriedade, cessão ou poder jurídico de disposição sobre emendas parlamentares” e afirmam que o uso da palavra “indicar”, no ambiente político, não corresponde ao sentido jurídico do termo.
Considerando que Valdemar Costa Neto é subserviente ao golpista (condenado e preso) que falsamente diz ser a favor da democracia e da liberdade, a alegação dos advogados não surpreende.
Em suma, o recuo de Costa Neto ressuscita dito popular conhecido desde os tempos da antiga Pindorama: “não escreve sentado o que fala em pé”.




