Ataque de Flávio às urnas eletrônicas mostra que golpismo e covardia são fatores genéticos

Nas últimas edições, citamos reiteradas vezes o dito popular “quem sai aos seus não degenera”. Com a devida licença, adaptando a expressão à realidade política brasileira, “quem sai aos seus não regenera”.

A adaptação é sob medida para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que herdou do pai a essência golpista. Antes da fracassada tentativa de golpe de Estado, que lhe rendeu 27 anos e três meses de prisão, Jair Bolsonaro reuniu representantes diplomáticos de diversos países no Palácio da Alvorada, ocasião em que vociferou mentiras sobre as urnas eletrônicas, sugerindo fraude no sistema de votação brasileiro. Por conta desse episódio patético, Bolsonaro está inelegível até 2030.

Em encontro com diplomatas de dezenas de países estrangeiros, Flávio repetiu o discurso mitômano do pai e colocou em xeque a integridade das urnas eletrônicas.

“Há poucos dias, por coincidência, há uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela. […] Muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma… Têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, disse o pré-candidato do PL à Presidência da República.

“O pedido que eu faço a todos aqui, não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para as nossas eleições, como sempre fazem, e também pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e [sobre] como o Brasil pode dar eleições mais seguras e transparentes”, emendou Flávio.

Ato contínuo, para desmentir Flávio Bolsonaro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou o mesmo desmentido que tornou público em 2022, afirmando ser flagrantemente falsa a afirmação de que as urnas eletrônicas brasileiras têm a mesma origem das urnas da empresa venezuelana Smartmatic. É importante ressaltar que a Smartmatic jamais forneceu ao TSE qualquer equipamento ou programa para uso nas eleições.

Flávio Bolsonaro não herdou do pai o viés golpista, mas a covardia que sempre acompanhou o ex-presidente desde os tempos de caserna.

Questionada, a campanha de Flávio divulgou nota afirmando que “não é verdade” que o pré-candidato tenha questionado a integridade do sistema de votações no Brasil e que ele se limitou a relatar fatos públicos, como o relatório da CIA.

“Em sua fala, que é brevíssima neste ponto, o pré-candidato Flávio Bolsonaro afirma expressamente que ‘não está questionando o sistema de votação brasileiro’“. A nota também destaca que Flávio reafirma “sua integral confiança no sistema eleitoral brasileiro e sua crença irrestrita de que as missões de observação internacional devem ser fortemente estimuladas”.

A família Bolsonaro não tem motivos para duvidar das urnas eletrônicas, pois Jair, Flávio, Carlos e Eduardo conquistaram mandatos parlamentares em eleições que utilizaram os mesmos equipamentos, agora sob ataques da extrema direita.

Assim como o golpista Jair Bolsonaro, o presidenciável do PL tenta vencer a corrida presidencial envergado a cangalha da mitomania. Não demorará muito e Flávio alegará liberdade de expressão para justificar suas mentiras.