Pentágono pede “ideias criativas” para derrotar o Irã

Com um estoque cada vez mais limitado de armamentos, os Estados Unidos buscam novas formas de pressionar o Irã na guerra que já dura cinco meses. Reportagem da CNN revela que um alto oficial do comando militar americano enviou um e-mail a seus pares pedindo ideias “criativas e não convencionais” para resolver o impasse no conflito.

“Estamos procurando maneiras novas, criativas e não convencionais de pressionar e punir o Irã”, escreveu um oficial do setor de inteligência do Comando Central dos EUA (Centcom) a um grupo de analistas militares, segundo fontes ouvidas pela emissora.

De acordo com a CNN, o militar abriu um grupo de discussão por e-mail para reavaliar a estratégia americana, algo incomum dentro da estrutura do comando.

À emissora, o porta-voz do Centcom, Timothy Hawkins, afirmou que o órgão “tem uma longa história de pensar e trabalhar de formas inovadoras”. “O almirante Cooper, em particular, busca contribuições de membros da equipe independentemente da patente para alcançar os mais altos níveis de desempenho operacional”, disse.

Entre a escalada e o acordo

A revisão ocorre enquanto a Casa Branca oscila entre ampliar a ofensiva militar e tentar alcançar um acordo. Desde o início da guerra, o presidente americano Donald Trump tem alternado ameaças de escalada com sinais de abertura ao diálogo. Em diversos momentos, prometeu ataques mais duros contra o Irã para, pouco depois, sugerir que uma saída negociada estaria próxima.

Esse movimento voltou a ficar evidente nos últimos dias. Após ameaçar novos ataques, Trump passou a sustentar que um entendimento poderia ser alcançado rapidamente e incluir a reabertura do Estreito de Ormuz, um dos principais focos da disputa. O padrão tem se repetido ao longo das últimas semanas, com ataques e contra-ataques seguidos por declarações contraditórias sobre cessar-fogo e negociações.

Na terça-feira, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou à CNBC que Washington mantinha conversas com Teerã e que um acordo poderia ser alcançado em questão de dias. O governo iraniano, porém, nega que negociações estejam em andamento. Na terça-feira, um projétil atingiu um navio cargueiro no Estreito de Ormuz.

Estoques de mísseis preocupam militares

A busca por alternativas ocorre em meio ao desgaste do arsenal americano. De acordo com a agência de notícias Reuters, os Estados Unidos já consumiram grande parte de seus estoques de mísseis de longo alcance e alta precisão durante os cinco meses de guerra. Duas fontes ouvidas pela agência afirmaram que Washington utilizou “praticamente todos” os mísseis ATACMS e Precision Strike Missile (PrSM) disponíveis para a campanha.

O esgotamento dos estoques preocupa setores do governo e das Forças Armadas porque pode limitar a capacidade de resposta dos EUA em outras crises, incluindo eventuais confrontos com Rússia ou China.

A Reuters informou que os números foram discutidos internamente nos últimos dias durante debates sobre por quanto tempo Washington conseguiria manter ataques ao Irã sem comprometer sua prontidão militar. (Com agências internacionais)