Como se fosse ode à moralidade, Flávio Bolsonaro anuncia ex-secretário de Segurança como vice

Sem conseguir convencer partidos do Centrão a apoiá-lo na disputa pela Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou, nesta quarta-feira (5), o nome do deputado federal e colega de partido Alfredo Gaspar, do Alagoas, como vice nas eleições de outubro próximo. A decisão ocorre após semanas de incerteza em relação à escolha de Flávio, já que o senador teve dificuldades para formar alianças e não conseguiu incluir uma mulher na chapa para ampliar o apoio.

Filiado ao Partido Liberal (PL), Gaspar, de 55 anos, está na Câmara dos Deputados desde 2023. Anteriormente, atuou como secretário de segurança pública de Alagoas e foi promotor e procurador-geral de Justiça.

“Vossa Excelência escolheu uma pessoa simples, nordestina, mas com uma história de vida de muito trabalho”, disse Gaspar a Flávio, no evento realizado nesta quarta em Brasília. “Me permita, presidente, dizer que eu sinto uma falta grande hoje de duas pessoas: do meu pai, que está no céu, e do seu pai, que está em cativeiro”, acrescentou, em alusão ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar pela tentativa de golpe de estado em 8 de janeiro de 2023.

Ele ganhou visibilidade nacional há quase um ano, quando virou relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou as fraudes dos descontos indevidos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Na CPMI, Gaspar chegou a pedir a prisão de Lulinha, filho mais velho do presidente Lula. No entanto, o relatório final elaborado por ele acabou rejeitado por 19 votos a 12, e a comissão foi concluída em março deste ano sem um texto final aprovado.

“[Gaspar] tem autoridade para abordar um assunto que deixa Lula desconfortável. Ele também fala bastante sobre segurança pública”, disse Lucas de Aragão, sócio da consultoria política Arko Advice, citado pela agência Reuters.


 

Sem demonstrar preocupação com propostas para o País, Flávio Bolsonaro quer atacar o presidente Lula na esteira dos inquéritos da Polícia Federal que investigam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em especial no caso dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.

Se há na corrida ao Palácio do Planalto desprovido de moral para atacar adversários, esse certamente é Flávio Bolsonaro, que ainda deve explicações sobre o destino do dinheiro aportado por Daniel Vorcaro na produção do filme “Dark Horse”, que retrata a pífia trajetória política de Jair Bolsonaro, o golpista condenado e preso.

Em relação ao fato de o candidato a vice ser ex-secretário de Segurança Púbica de Alagoas, Flávio também não tem moral para tratar do assunto, pois sua eleição ao Senado contou com o poio de milícias do Rio de Janeiro.

Além disso, Flávio empregou em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, enquanto deputado estadual, a mãe e a esposa de Adriano Magalhães da Nóbrega, miliciano responsável pela criação do grupo de matadores de aluguel conhecido como “Escritório do Crime”. Nóbrega, que era próximo de Fabrício Queiroz, o “faz tudo” do clã Bolsonaro, morreu no interior da Bahia em 9 de fevereiro de 2020.

Adriano da Nóbrega era um dos líderes da milícia que atua na comunidade de Rio das Pedras, na Zona Oeste da capital fluminense, onde Flávio Bolsonaro conquistou 90% dos votos na disputa por vaga no Senado.

Causa espécie o fato de alguém que foi secretário de Segurança e procurador-geral de Justiça se aliar a um candidato com o histórico de Flávio Bolsonaro, o príncipe das rachadinhas e ex-dono da fantástica loja de chocolates.