As declarações dúbias da madrasta Michelle Bolsonaro durante gravações com o enteado Flávio

Por enquanto, para o eleitorado conservador e adorador do golpismo, Flávio Bolsonaro, o enteado candidato à Presidência da República, e Michelle Bolsonaro, a madrasta candidata ao Senado pelo Distrito Federal, estão vivendo uma nova fase, depois das desavenças familiares que vieram a público há pouco mais de um mês.

Para entender esse “faz de conta” costurado a muitas mãos, o UCHO.INFO sugere o filme dinamarquês “A festa de Babette”, baseado no conto homônimo da escritora Karen Blixen. A produção venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 1988.

Nesta terça-feira (11), Michelle e Flávio estiveram juntos para a gravação do horário eleitoral. Questionada sobre as rusgas com o enteado, a ex-primeira-dama disparou: “Colocamos a pedra, a desavença existe em… Qual família é perfeita? Levanta a mão aí quem não tem problema na família. Levanta a mão. Mas, graças a Deus, conversamos, nos unimos em prol de algo muito maior para a nossa nação”.

A declaração de Michelle Bolsonaro é dúbia, pois a afirmação “colocamos a pedra” contrasta com “nos unimos em prol de algo muito maior para a nossa nação”. Resumindo, o Brasil assiste a um jogo de cena.

Michelle foi além no campo das contradições e afirmou: “Vamos viver um dia de cada vez. A gente está se ajustando, mas eu não guardo mágoa de ninguém. Meu coração é limpo, graças a Deus. Até porque, se eu guardar mágoa, eu aqui não vou conseguir viver. Então, eu estou livre desse sentimento. Eu acho que as coisas vão se ajustando aos poucos”.

A madrasta precisa decidir entre “colocamos a pedra” e “vamos viver um dia de cada vez / a gente está se ajustando”. A primeira declaração sugere que o entrevero está resolvido e é coisa do passado. A segunda, que ambos estão seguindo um roteiro que tem como pano de fundo os interesses políticos de Michelle e do enteado.

Sobre “guardar mágoa” e “eu aqui não consigo viver” vão na contramão do vídeo divulgado nas redes sociais em que Michelle afirmou ter sido desrespeitada e maltratada por Flávio. No vídeo, a madrasta-candidata era um poço de mágoas.

Em temporada de disputas eleitorais vale tudo, inclusive fingir para enganar o incauto eleitor. Para quem vende ao público a imagem de serva do Senhor, protagonizar uma farsa usando em vão em nome de Deus é heresia. Enfim…