Lula e Flávio cancelam participação em debate, Globo cancela evento por insegurança jurídica

Nas últimas horas, a grande imprensa decidiu atacar o presidente Lula pela decisão de não participar do debate da TV Globo entre presidenciáveis. Se o Brasil estivesse livre da polarização político-ideológica e os candidatos mostrassem disposição para discutir propostas factíveis, o debate teria razão de ser, como já aconteceu em passado não tão distante.

Os ataques contra Lula derivam da necessidade da emissora de lucrar com a audiência, que perde força coma ausência do petista. Se em termos democráticos a decisão de não comparecer ao debate soa como desrespeito à democracia, em termos de estratégia eleitoral a decisão é acertada.

Por qual razão Lula iria a um debate para ser bombardeado por quatro candidatos do espectro da direita? Não se pode colocar a perder uma campanha pela reeleição em nome do politicamente correto, algo que no Brasil contemporâneo há muito não existe.

Na eleição de 2006, Lula, que tentava a reeleição, não compareceu ao debate entre presidenciáveis e foi criticado pelos adversários, inclusive por Geraldo Alckmin, que em nome da manutenção da democracia se aliou ao petista em 2022. Na ocasião, a TV Globo exibiu a cadeira vazia que estava reservada para o petista.

Em termos eleitorais, a decisão de Lula é tão acertada, que Flávio Bolsonaro acabou desistindo de participar do debate, ciente de que sem a presença do principal adversário seria alvo fácil dos demais candidatos da direita, que ainda sonham em chegar ao segundo turno. Para isso, os candidatos que se apresentam como de direita teriam de atacar Flávio.

Com a revelação de alguns escândalos nos últimos dias, Flávio seria presa fácil para os adversários, situação que poderia comprometer seu plano de conquistar os votos dos indecisos. Enquanto isso, Lula concede entrevista a Igor Rodrigues Coelho, conhecido como Igor 3K, apresentador do podcast Flow, transmitido pelo YouTube.

Faltando menos de uma hora para o início do debate, a TV Globo anunciou o cancelamento alegando ter recebido duas intimações judiciais relacionadas ao evento que causam “insegurança jurídica” e representam “interferência indevida na liberdade” dos veículos de imprensa.

Uma das decisões, assinada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou à emissora a participação do candidato Renan Santos (Missão) no debate. A segunda decisão, assinada pela ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), impediu que a Globo exibisse o púlpito vazio destinado ao presidente Lula