Roubo de celulares e crime organizado: as falsas promessas de um candidato que engana eleitores

Realizado no domingo (18) pela Band, o debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, que concorrem à Presidência da República, foi pífio e carente de propostas para o Brasil. Na verdade, o encontro entre ambos os candidatos mais parecia um ringue de acusações, com Flávio usando a diferença de idade como ferramenta de intimidação. Assim como o pai, Flávio traz a covardia o deboche em seu DNA, mas Lula, por infortúnio, não soube explorar tal detalhe.

Em todos os temas levados ao debate, Flávio Bolsonaro fugiu das respostas, citando de forma reiterada questões relacionadas à segurança pública e ao crime organizado. O candidato do PL foi treinado para isso.

Filho de um golpista fracassado e preso que dizia “jogar dentro das quatro linhas da Constituição”, Flávio insistiu em citar roubo de celulares como um fracasso do governo Lula no campo da segurança pública. Causa espécie um senador da República desconhecer a carta Magna, que transfere aos estados a responsabilidade pela segurança pública.

No caso de roubo e furto de celulares, a responsabilidade no estado de São Paulo, por exemplo, é do governador Tarcísio de Freitas, o turista acidental apoiador de Flávio que foi reeleito para comandar a principal unidade da federação.

A política de Tarcísio para combater roubo de celulares, que ludibria os cidadãos, consiste em estacionar viaturas policiais nas calçadas da Avenida Paulista, na cidade de São Paulo, estratégia que funciona como propaganda permanente, mas atrapalha a vida dos pedestres. No contraponto, nas vias paralelas à Avenida Paulista e nas transversais o roubo de celulares acontece sem que os criminosos sejam importunados. Registro de boletim de ocorrência e nada são a mesma coisa.

Ir a um debate para regurgitar soluções milagrosas é atitude típica de inexperientes como Flávio Bolsonaro. É preciso identificar os motivos que levam ao roubo de celulares. O criminoso que atua na ponta está a serviço de alguém que tem condições para subornar policiais. Basta uma rápida conversa com profissionais sérios que trabalham com conserto de celulares, na região da Rua Santa Ifigênia, para conhecer detalhes das ofertas de proteção policial apresentadas semanalmente.

A comercialização de celulares roubados ou furtados precisa ser combatida com inteligência policial, não com espetacularização oficial. Há dois propósitos principais: transferências bancárias e venda dos equipamentos. As transferências bancárias já são enfrentadas pelo governo federal, através do Banco Central, que criou mecanismo para o cancelamento de Pix. No campo da venda de celulares roubados, o governo federal criou ferramenta que permite bloquear o equipamento através da plataforma “gov.br”.

Crime organizado

Em relação ao crime organizado, cujas facções Flávio Bolsonaro quer classificar como organizações narcoterroristas, para a alegria de Donald Trump, o candidato do PL não tem um grama de moral para tratar do assunto.

Embusteiro, Flávio tenta vender aos incautos eleitores a falsa promessa da mudança, por esse motivo age para impedir que a verdade sobre sua trajetória política seja escancarada.

Enquanto deputado estadual, Flávio Bolsonaro empregou em seu gabinete n Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) ninguém menos que Raimunda Veras Magalhães, mãe de Adriano Magalhães da Nóbrega, e Danielle Mendonça da Nóbrega, ex-esposa do miliciano e fundador do “Escritório do Crime”, grupo de matadores de aluguel conhecido na região metropolitana da capital fluminense.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) apontou que familiares de Adriano da Nóbrega repassaram dinheiro para Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, no âmbito do caso conhecido como “rachadinha” na Alerj.

Por indicação de Flávio Bolsonaro, o miliciano Adriano da Nóbrega foi condecorado em duas ocasiões na Alerj, em uma delas tendo recebido a Medalha de Tiradentes, mais alta honraria do Legislativo fluminense. Uma semana depois, o então vereador Carlos Bolsonaro, irmão de Flávio, homenageou Nóbrega na Câmara Municipal do Rio.

Nóbrega era o chefe da milícia que continua atuando no Complexo de Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde, em 2018, quando foi eleito senador da República, Flávio recebeu 8.729 votos, equivalente a 17% dos votos para o cargo.

Adriano da Nóbrega foi assassinado em 9 de fevereiro de 2020, em uma emboscada na cidade de Esplanada, no interior da Bahia. Dias antes, o advogado Paulo Emílio Catta Preta recebeu um telefonema do miliciano, ocasião em que disse temer uma “queima de arquivo”.