Flávio escolhe o lacrador e debochado Deltan Dallagnol para analisar sigilo de Lula e familiares

Candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro aceitou o desafio do presidente Lula e autorizou a abertura de seus sigilos fiscal, bancário e telemático. O UCHO.INFO continua não acreditando na disposição de Flávio de fornecer os dados.

Na verdade, ele quer capitalizar eleitoralmente com o desafio, após Lula ter concordado com as exigências feitas. A sinalização de que o tema tem chance de ser explorado à exaustão a três dias do segundo turno e 24 horas do debate da TV Globo, Flávio escolheu Deltan Dallagnol para analisar os dados referentes à quebra do sigilo de Lula e familiares.

Dallagnol é a pessoa menos indicada para tal análise, que, cremos, deveria ficar a cargo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ou a alguém isento indicado pela Corte.

A parcialidade de Deltan Dallagnol ficou mais uma vez comprovada no debate da Band, quando o ex-procurador acompanhou o evento trajando camiseta com a inscrição “eu prendi o Lula, o STF soltou”.

O exibicionismo torpe de Dallagnol durante o debate, como se fosse o último paladino da moralidade pública, confirma o espetáculo mambembe que encenou na esteira da apresentação do fatídico “PowerPoint” da Operação Lava-Jato, que apontava Lula como principal culpado.

Não obstante, atropelando o que determina a legislação vigente, Dallagnol apresentou denúncia contra Lula sem ter ao menos uma prova incriminatória no caso do apartamento triplex no Guarujá. Além disso, o foro de Curitiba não dispunha de competência legal para sequer investigar e julgar Lula.

Pior fez o ex-juiz Sergio Moro, agora governador eleito do Paraná, que condenou o ex-presidente com base em meros indícios, não em provas, algo que atenta contra o bom Direito.

Diante desse escárnio processual, a camiseta exibida por Dallagnol deveria ser jogada no lixo, pois o Supremo Tribunal Federal apenas fez valer o que determina a lei. O objetivo do ex-procurador é e sempre foi galgar a escada da política, por essa razão combinou denúncias e condenações com Moro, como forma de ludibriar a opinião pública com a falsa imagem de Don Quixote dos trópicos.

Causa espécie o fato de Dallagnol ter recebido votos para ocupar uma cadeira no Senado Federal, apesar de sua candidatura estar pendente de julgamento no TSE.

Há muito que o Congresso Nacional assiste à vertiginosa queda do nível intelectual de seus integrantes. A pior situação é a do Senado, que já viveu momentos memoráveis por conta da notoriedade de seus senadores.

Com o passar do tempo, o Senado foi transformado em palanque político da pior qualidade, onde políticos gazeteiam a toda hora, como se a Câmara alta fosse palco para bizarrices. Na verdade, senadores, que desconhecem a importância e o objeto do mandato, aproveitam todas as chances para o que se conhece como “lacração”.

Caso tenha a eleição confirmada pela Justiça Eleitoral, Deltan Dallagnol será mais no grupelho de lacradores.

Considerando que o Senado teve em suas fileiras figuras ilustres como Rui Barbosa, Afonso Arinos, Mário Covas, Teotônio Vilela e Paulo Brossard, entre tantos, a eventual chegada de Dallagnol será uma ode ao deboche.