(*) Lêda Lacerda
Um dia, meus filhos, a casa vai se encher de silêncio. Os armários estarão intactos, os quartos arrumados demais, e a televisão ligada será apenas companhia para o vazio.
E eu vou me lembrar… do tempo em que 24 horas não bastavam.
Quando eu me escondia no banheiro buscando cinco minutos de descanso, mas logo uma vozinha chamava atrás da porta.
Dos brinquedos que se espalhavam como estrelas pela sala, dos copos na pia, das roupas espalhadas, dos passos apressados correndo pelo corredor.
Tudo aquilo que um dia eu chamei de bagunça… era, na verdade, a forma mais pura do amor.
Amor que respirava em cada canto, que se infiltrava em cada som, que preenchia cada espaço da casa e do meu coração.
E eu, que tantas vezes desejei que vocês crescessem logo, um dia vou implorar ao tempo para me devolver um só instante.
Um dia apenas, para reviver os abraços inesperados, as risadas altas, o barulho que parecia não ter fim.
Um dia, para me perder no tumulto mais belo que a vida já me deu.
Porque o silêncio virá, a paz virá…
Mas nenhuma paz se compara à felicidade disfarçada de desordem que vocês trouxeram para a minha vida.
Vocês eram — e sempre serão — a bagunça mais linda que o meu coração já abrigou.
(*) Lêda Lacerda – paulistana, estudou no Colégio Rio Branco e formou-se em enfermagem pela USP. Sempre se interessou por moda e nas horas vagas por escrever sobre experiências de vida. Anos mais tarde, ingressou profissionalmente no universo da moda, tendo também se dedicado à formação de modelos e atores. A paixão pela escrita permanece até hoje, hobby que usa para traduzir em letras a emoção e o amor que marcam seu cotidiano.
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