Irã anuncia primeira execução de manifestante; Trump incita protestos e ameaça atacar

Tomado por uma onda de protestos contra o regime dos aiatolás, o Irã vive dias de extrema tensão e violência. Líder máximo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, no poder desde 1989, ordenou a intensificação do combate aos manifestantes, que desde o final de dezembro ocupam as ruas do país.

Inicialmente, os iranianos decidiram protestar devido a escalda dos preços, fruto da desvalorização da moeda local (rial), faixa de 405, e inflação na casa de 60%. Na sequência, os protestos cresceram e passaram a combater a violência e a repressão. Até o momento, mais de 3 mil manifestantes foram mortos pelas forças do regime. Outros 10 mil iranianos foram presos.

Ciente de que os protestos configuram ameaça real e crescente à truculenta teocracia islâmica, Khamenei decidiu executar um dos manifestantes. Preso durante os protestos, Erfan Soltani, 26 anos, foi detido na cidade de Karaj e deverá ser executado na quarta (14) pelas autoridades iranianas. A informação foi divulgada pela organização humanitária curdo-iraniana Hengaw.

Parentes afirmam que Soltani não teve permissão para acessar um advogado, tampouco houve qualquer audiência em tribunal para julgar seu caso.

“O tratamento apressado e pouco transparente deste caso aumentou as preocupações sobre o uso da pena de morte como instrumento para reprimir protestos públicos”, alertou a Hengaw.

A ONG Iran Human Rights (IHRNGO) afirmou estar “extremamente preocupada com a situação no país e alerta para o risco de execuções em massa de manifestantes”.

Também nesta terça-feira, o alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Volker Türk, se disse “horrorizado” com o que chamou de repressão das forças de segurança iranianas aos protestos pacíficos

Há cinco dias, o governo iraniano cortou o acesso à internet, para tentar evitar a divulgação de imagens e informações sobre os protestos. Contudo, algumas chamadas telefônicas internacionais ainda são possíveis. Os relatos incluem necrotérios lotados, execuções e atiradores da guarda revolucionária disparando contra civis.

Ameaça americana

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dirigiu-se diretamente aos manifestantes iranianos, pedindo para que guardassem os nomes “dos assassinos e dos que estão maltratando vocês”.

“E, aliás, a todos os patriotas iranianos, continuem protestando, tomem as instituições se vocês puderem, e guardem os nomes dos assassinos e dos que estão maltratando vocês”, disse Trump, durante um discurso em Detroit. “Eles vão pagar um preço muito alto”, concluiu o presidente, que disse que “uma morte [de manifestante] já é demais”.

A mensagem acima foi a segunda enviada por Trump aos iranianos que estão nas ruas contra a ditadura liderada por Ali Khamenei. Mais cedo, o presidente estadunidense pediu que eles seguissem protestando e afirmou que a “ajuda” dos EUA “está a caminho”.

“Patriotas iranianos, continuem protestando. Derrubem suas instituições. (…) A ajuda está a caminho”, declarou.

Trump tem repetido que poderá retomar os ataques diretos ao território iraniano como represália, aumentando as tensões entre os dois países. “Vamos atingi-los com muita força onde mais dói”, disse Trump, em relação ao Irã, na última semana.

Questionado sobre se fará ataques ao Irã, o presidente norte-americano respondeu: “Vocês terão de descobrir”.