Tivesse bom-senso e coragem, Toffoli deixaria o STF, poupando a Corte de relações bisonhas

Quando foi alçado ao posto de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), José Antonio Dias Toffoli estava a anos-luz do exigido notável saber jurídico. Foi indicado ao STF por proximidade quase visceral com o PT. Nas primeiras participações no plenário, possivelmente deslumbrado com o novo cargo, Toffoli surgia a cada dia com novos óculos, preferencialmente coloridos.

Agora, pouco mais de dezesseis anos da sua chegada ao STF, Dias Toffoli está imbricado no escândalo envolvendo o Banco Master, que, de acordo com o ministro Fernando Haddad (Fazenda), é protagonista da maior fraude bancária da história nacional.

Toffoli tem feito obstrução de Justiça deliberadamente como forma de dificultar as investigações sobre as estripulias financeiras de Daniel Vorcaro, dono do Master, e do seu cunhado, o advogado e pastor Fabiano Zettel.

Zettel, que entrou no radar da Polícia Federal, foi sócio de dois irmãos do ministro Toffoli no resort Tayayá, localizado no município paranaense de Ribeirão Claro. O elo entre o Tayayá e o fraudulento emaranhado de fundos administrados por Vorcaro é o fundo Arleen. De acordo com o jornal “O Estado de S. Paulo”, Zettel é cotista do Arleen.

O resort dos irmãos de Toffoli foi comprado pelo advogado Paulo Humberto Barbosa, que trabalha para os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do grupo J&F. Em abril de 2025, o advogado adquiriu a participação no Tayayá que pertencia à Maridt, empresa de José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro do STF. Na época, o negócio foi estimado em R$ 3,5 milhões. Em setembro de 2025, Mario Umberto Degan, primo de Toffoli, vendeu sua parte no resort para Barbosa.

O advogado é sócio de Renato Mauro Menezes Costa, atual presidente da Friboi (empresa dos irmãos Batista), e de Gabriel Paes Fortes – cunhado de José Batista Júnior, irmão mais velho de Joesley e Wesley Batista.

A advogada Roberta Maria Rangel, ex-mulher do ministro Dias Toffoli atua para a JBS, empresa dos irmãos Batista. Em 2023, ainda casado com Roberta Rangel, o ministro do STF decidiu pela suspensão do pagamento de multa de R$ 10,3 bilhões prevista no acordo de leniência firmado pela J&F (dos irmãos Batistas) com o Ministério Público Federal (MPF).

A compra do resort Tayayá foi viabilizada a partir de um fundo de investimento administrado pela Reag, financeira investigada no escândalo do Banco Master. Fundada em 2013 por João Carlos Falbo Mansur, a Reag Investimentos tornou-se alvo da Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal em 28 de agosto de 2025. A investigação alçou à mira um esquema bilionário de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, que tinha na proa integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e executivos da “Faria Lima”, centro financeiro do País.

Em setembro de 2025, Mansur vendeu por R$ 100 milhões 87,38% do capital da Reag para a Arandu Capital Holding, controlada pelos principais executivos da companhia.

O ministro Dias Toffoli jamais participou do quadro societário do resort Tayayá, mas é frequentador assíduo do local. No fim de 2025, a imprensa repercutiu viagem de Toffoli ao Tayayá em avião de Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, investigado na Operação Carbono Oculto. Beto Louco é suspeito de integrar esquema criminoso de evasão fiscal e combustível adulterado envolvendo o PCC.

Em 29 de novembro de 2025, Dias Toffoli viajou à capital peruana para assistir à final da Copa Libertadores. O ministro pegou carona em avião do empresário Luiz Oswaldo Pastore, que levou cerca de 15 pessoas para ver o jogo entre Flamengo e Palmeiras.

No voo estava o advogado Augusto Arruda Botelho, que representa o diretor de compliance do Banco Master, Luiz Antônio Bull, na ação sobre os negócios com o Banco Regional de Brasília (BRB). Toffoli disse a interlocutores que é amigo de Pastore e não conversa sobre processos fora do tribunal.

Em 4 de dezembro, dias depois da viagem, Toffoli tornou pública determinação para que a investigação envolvendo Vorcaro fosse submetida a ele. A apuração de crimes financeiros supostamente cometidos pelo dono do Master foi iniciada na 10ª Vara Federal do Distrito Federal. Além disso, o ministro também manteve a investigação em sigilo.

Essa teia de coincidências (sic) coloca em xeque a conduta de Toffoli como relator do inquérito do Banco Master no STF, o que tem aumentado as manifestações pela suspeição do magistrado.

Dias Toffoli, fosse coerente, deveria se declarar impedido, mas ele rejeita tal hipótese, de acordo com magistrados do STF. Diante da negativa de Toffoli, o plenário da Corte pode decidir por seu afastamento.

Diante do acima relatado, Dias Toffoli deveria ir além e requerer aposentadoria antecipada. Afinal, o ministro imporá ao STF os efeitos colaterais do escândalo até 2042, quando, por lei, terá de se aposentar compulsoriamente.