Boicote à Copa do Mundo…

(*) Gisele Leite

Enfim, por conta da política agressiva e belicosa de Donald Trump, a Europa pensa em boicotar a Copa de Mundo, tudo no sentido de prover uma retaliação a Presidente dos EUA. Os deputados britânicos já cogitam da possibilidade de a Seleção inglesa não participar da Copa do Mundo de 2026, que será nos EUA, Canadá e México.

Os conservadores mais irritados com o governo dos norte-americanos, apontam que vige desrespeito aos aliados e, cogitam na retirada do mundial. O líder do Partido Liberal Democrata até sugeriu o cancelamento da visita do Rei do Reino Unido aos EUA e boicotar a Copa do Mundo para acenar para Trump que está equivocado. Já o deputado alemão Juergen Hardt, da União Democrata Cristã, declarou ao jornal Bild uma medida radical para fazer o presidente Trump recuperar o bom senso na questão da Groelândia. Perfaz-se assim um boicote da União Europeia à Copa do Mundo de futebol que os EUA, México e Canadá sediarão.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, disse que ficou satisfeita com a postura consistente dos países europeus e comentou: “A Europa não será chantageada”. A posição foi reiterada pelo ministro da Fazenda da Alemanha e pelo primeiro-ministro da Suécia. “Isso é chantagem”, comentou o ministro das Relações Exteriores dos Países Baixos, David van Weel. As pretensões de Trump sobre a Groelândia, Canadá e Venezuela começaram a surtir os efeitos danosos. Tomara que tudo não resulte em novo conflito armado. Por enquanto é apenas a Copa do Mundo, quem saberá quais outras retaliações virão a caminho?

Em apenas um ano de mandato presidencial lançou mão de um tarifaço global, ordenou ataques militares e ameaçou até países parceiros. Internamente, encampou uma ofensiva sem precedentes contra imigrantes, perdoou invasores do Capitólio e perseguiu instituições, universidades e a imprensa.

Ao longo de 2025, Trump cortou repasses e abriu investigações contra algumas das maiores universidades do país, como Harvard e Columbia, sob uma série de pretextos – dos protestos contra Israel ocorridos no ano anterior à admissão de alunos estrangeiros.

Outro alvo do presidente foi a imprensa, desta vez com processos pedindo até R$ 79 bilhões em reparação por reportagens críticas ou negativas, como as que mostram a relação do presidente com Jeffrey Epstein. Ele também mirou no sistema jurídico: no fim de março, Trump divulgou um comunicado ameaçando punir advogados e escritórios que se envolvam em casos que ele considera “frívolos, irracionais e vexatórios” contra a sua gestão.

(*) Gisele Leite – Mestre e Doutora em Direito, é professora universitária.

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