
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou nesta segunda-feira (26), por telefone, com o estadunidense Donald Trump, de acordo com comunicado divulgado pelo Itamaraty. Na ligação de quase uma hora, o brasileiro pediu que o Conselho de Paz proposto pela Casa Branca se limite a tratar de Gaza, e não de outras zonas de conflito, e preveja um assento também para os palestinos, que até agora não receberam convite.
O Brasil ainda não respondeu se participará do órgão idealizado por Trump, que foi lançado este mês no Fórum Econômico Mundial sem aliados-chave dos Estados Unidos.
A proposta original de Trump foi inicialmente aprovada em resolução pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para exclusivamente supervisionar a paz e a reconstrução na Faixa de Gaza.
A carta de fundação do conselho, entretanto, indicou que as ambições do presidente americano iam além. Sem mencionar Gaza, o documento previa que o órgão assumisse atribuições que hoje são da ONU, inclusive “promover estabilidade, restaurar uma governança confiável e legítima e garantir uma paz duradoura” em regiões “afetadas ou ameaçadas por conflitos” ao redor do mundo.
Visita a Washington
De acordo com o Itamaraty, Lula também usou a conversa para reiterar “a importância de uma reforma abrangente da Organização das Nações Unidas, que inclua a ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança”.
Esta é uma proposta defendida desde 2003 pelo Brasil, que quer um lugar para si no órgão. Na visão do governo, a iniciativa de Trump tende a reduzir este debate e vai na contramão dos seus esforços.
Os dois presidentes concordaram ainda com uma visita de Lula a Washington para fevereiro. No ano passado, o encontro de Lula com Trump na Malásia foi lido como vitória para o presidente brasileiro, uma vez que serviu para aliviar a distensão nas relações diplomáticas e abrir o caminho para o alívio das tarifas para o Brasil.
Outro ponto sensível na relação entre Brasil e EUA é a Venezuela, sobretudo desde a captura do presidente Nicolás Maduro por agentes americanos. Lula “ressaltou a importância de preservar a paz e a estabilidade da região e de trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano,” disse o comunicado de Brasília.
Outros temas discutidos na conversa entre os presidentes incluíram indicadores econômicos, o fim das tarifas sobre produtos brasileiros e o combate ao crime organizado.
Brasil sinaliza negativa a Trump
Antigo aliado dos palestinos, Lula chefia um dentre vários governos que hesitam em aceitar ou negar o convite de Trump. Os sinais emitidos pelo presidente, entretanto, indicam uma possível resposta negativa.
O Brasil não compareceu ao evento de inauguração do Conselho de Paz em Davos. Depois, na última sexta-feira, ele afirmou que a Carta da ONU — que forma a base do direito internacional — está sendo “rasgada” e que a “lei do mais forte” passou a dominar as relações internacionais.
De acordo com o presidente brasileiro, Trump tenta “criar uma nova ONU” sob controle exclusivo dos EUA. O risco de que um eventual conselho com poderes amplos e longevos para Trump rivalizasse com as Nações Unidas é ventilado também por especialistas.
Por ora, os países que disseram que vão se juntar ao Conselho de Paz incluem Israel, Argentina, Paraguai, Hungria, Egito, Arábia Saudita, Turquia e Emirados Árabes Unidos (EAU).
Por outro lado, já negaram o convite Canadá, França, Alemanha, Noruega, Reino Unido, Itália, Grécia, Suécia, Eslovênia e Ucrânia. (Com agências de notícias)






