
Após alegar não haver motivos para deixar a relatoria do caso do Banco Master, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), desistiu de continuar à frente do inquérito que apura o cipoal de fraudes da instituição de Daniel Vorcaro, liquidada pelo Banco Central.
O pedido de Toffoli foi formulado na sequência de reunião emergencial convocada pelo presidente da Corte, ministro Luiz Edson Fachin, para tratar do relatório de investigação da Polícia Federal (PF) que apontou menções ao ministro encontradas em mensagem de celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.
Em nota oficial, os ministros da Corte demonstraram apoio a Toffoli e afirmaram não haver motivos para suspeição ou impedimento do agora ex-relator.
“[Os ministros] Expressam, neste ato, apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento. Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela Polícia Federal e Procuradoria Geral da República”, declarou a Corte.
Horas antes, ministros do STF mostraram-se surpresos e indignados com os novos fatos revelados pela PF. Em outras palavras, a anunciada demonstração de apoio não se sustenta e serve para ludibriar a opinião pública. A informação de que a saída de Dias Toffoli foi a pedido é mais uma inverdade no escopo de escândalo que cresceu rapidamente nas últimas horas.

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Sobre o fato de Dias Toffoli ter atendido a “todos os pedidos formulados pela Polícia Federal e Procuradoria Geral da República”, trata-se de uma falácia. Na verdade, o ministro tomou decisões que dificultaram os trabalhos da PF, objetivando criar entraves à investigação.
“Registram, ainda, que a pedido do Ministro Dias Toffoli, levando em conta a sua faculdade de submeter à Presidência do Tribunal questões para o bom andamento dos processos (RISTF, art. 21, III) e considerados os altos interesses institucionais, a Presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os Ministros, acolhe comunicação de Sua Excelência quanto ao envio dos feitos respectivos sob a sua Relatoria para que a Presidência promova a livre redistribuição”.
Ratificando matérias publicadas anteriormente, o UCHO.INFO mantém o entendimento de que Dias Toffoli deveria deixar o STF, opinião endossada recentemente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Consumada a saída de Toffoli da relatoria do caso do Banco Master, o novo relator do inquérito sobre a maior fraude bancária da história nacional, escolhido por sorteio, é o ministro André Mendonça, indicado ao STF por ser “terrivelmente evangélico”.





