ONG acusa Israel de usar substância química letal contra civis no Líbano

A ONG Human Rights Watch (HRW) acusou Israel de lançar ilegalmente fósforo branco em um ataque na semana passada contra uma zona residencial do vilarejo libanês de Yohmor, no sul do Líbano, no âmbito de uma operação contra a milícia libanesa Hezbollah, aliada do Irã.

Em relatório divulgado nesta segunda feira (9), a organização afirmou ter conseguido verificar e geolocalizar sete imagens que indicam o uso da substância inflamável, que pode ser fatal ou causar ferimentos graves com danos permanentes.

“O uso ilegal de fósforo branco pelo exército israelense sobre áreas residenciais é extremamente alarmante e terá consequências terríveis para os civis”, disse Ramzi Kaiss, pesquisador sobre o Líbano na HRW.

O exército israelense não comentou inicialmente a acusação. No passado, já afirmou que usa fósforo branco como cortina de fumaça e não para atingir civis, o que seria ilegal no direito internacional.

A substância pode também ser usada para marcação, sinalização e ocultação em contextos militares.

As forças israelenses lançaram uma ofensiva contra o Hezbollah no Líbano após Israel ser alvo de foguetes da milícia libanesa, disparados em apoio ao regime iraniano.

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Israel alertou população

O fósforo branco queima ao entrar em contato com o oxigênio no ar até que nada reste ou que o fornecimento de oxigênio seja interrompido. Ou seja, tem o poder de incendiar prédios e queimar a carne humana até o osso.

Sobreviventes correm risco de infecções e falência de órgãos ou respiratória, mesmo que suas queimaduras sejam pequenas.

Antes do ataque, em 3 de março, o exército israelense havia pedido à população civil que deixasse o local do ataque e permanecesse a pelo menos um quilômetro de distância, segundo relatório da HRW. Não foi possível verificar se pessoas na área foram feridas pelo fósforo branco.

Um protocolo adicional às Convenções de Genebra sobre direito internacional humanitário proíbe o uso de armas de fósforo quando houver risco para populações.

Em 2023, a HRW e a Anistia Internacional também reportaram que a munição foi usada em várias ocasiões no sul do Líbano, inclusive na presença de civis, e na Faixa de Gaza. (Com agências internacionais)