Trump quer o petróleo do Irã e tomar a Ilha de Kharg, mas já fala em encerrar a guerra

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, levantou a possibilidade de capturar a Ilha de Kharg, por onde passam cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã. A declaração consta de entrevista publicada nesta segunda-feira (30/03) no jornal britânico Financial Times.

“Talvez iremos tomar a Ilha de Kharg, talvez não. Temos várias opções”, disse Trump. “Para ser sincero, minha coisa favorita é tomar o petróleo do Irã”, continuou o republicano. “Mas algumas pessoas estúpidas nos EUA dizem ‘por que você está fazendo isso?’ Eles são estúpidos”, acrescentou.

Trump também afirmou ao jornal que acredita que as defesas iranianas em Kharg são fracas. “Não acho que eles tenham qualquer defesa. Poderíamos tomá-la com muita facilidade”, mas disse também que as forças americanas talvez precisassem permanecer lá por “um tempo”.

Os EUA já atacaram instalações militares na Ilha de Kharg em 13 de março, atingindo 90 alvos, segundo o Comando Central, incluindo “instalações de armazenamento de minas navais, bunkers de armazenamento de mísseis e vários outros locais militares”.

Apesar das ameaças, Trump afirmou que as negociações indiretas com o Irã, por meio de intermediários paquistaneses, estavam avançando. Questionado se um cessar-fogo nos próximos dias poderia reabrir o Estreito de Ormuz, de vital importância estratégica para os fluxos globais de petróleo e gás, Trump se recusou a fornecer detalhes. “Ainda temos cerca de 3 mil alvos restantes – já bombardeamos 13 mil alvos”, disse ele, acrescentando que um acordo “poderia ser fechado rapidamente”.

Fim da guerra

Em mais um momento marcado por esquizofrenia política e ciclotimia discursiva, Trump disse a assessores que está disposto a encerrar a guerra contra o Irã mesmo com o Estreito de Ormuz fechado. As informações foram reveladas pelo jornal “The Wall Street Journal” nesta segunda-feira (30), com base em relatos de autoridades.

De acordo com a reportagem, Trump e conselheiros avaliaram, nos últimos dias, que uma operação para reabrir totalmente a rota marítima prolongaria o conflito além do prazo de seis semanas prometido pelo presidente.

O bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã tem pressionado os preços do petróleo e afetado diversos setores em âmbito global. Além disso, tal cenário tem potencial para impactar sobremaneira a economia estadunidense em ano de eleições para a Câmara e o Senado.

Diante disso, Trump teria afirmado que os EUA devem focar nos principais objetivos da guerra: enfraquecer a marinha iraniana e reduzir a capacidade de mísseis do país. A partir daí, os ataques seriam reduzidos, em tentativa de pressionar o Irã a reabrir o Estreito de Ormuz.

Caso o Irã continue impedindo o fluxo de navios comerciais na região, Trump deve pressionar aliados na Europa e no Golfo a assumir a responsabilidade pela reabertura da rota marítima, segundo o jornal.

Dividindo a conta

Na esteira de novo delírio, Trump pretende transferir aos países árabes o custo da guerra contra o Irã. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Trump está “bastante interessado” em solicitar que nações árabes, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, cubram as despesas da guerra no Irã, estimadas em US$ 1 bilhão por dia.

A posição reflete a política de Trump do “America First” (América Primeiro), na qual aliados sob o “guarda-chuva de segurança” dos EUA devem arcar com os custos de sua própria proteção e intervenções regionais.

Donald Trump, que enfrenta protestos internos contra o conflito, entrou em uma guerra desnecessária por ter acreditado no discurso falacioso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que depende da beligerância para se manter no cargo. Do contrário, uma temporada atrás das grades é o destino de Netanyahu, que responde criminalmente por suborno, fraude e abuso de confiança.