Serviço de imigração prende Alexandre Ramagem nos Estados Unidos

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) está sob custódia do serviço de imigração e alfândega dos Estados Unidos, conhecido pela sigla ICE (U.S. Immigration and Customs Enforcement).

O nome de Ramagem aparece no site do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos com a situação “sob custódia do ICE”. O local de detenção não foi informado.

Condenação

Em setembro de 2025, Alexandre Ramagem fugiu do Brasil após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e abolição do Estado Democrático de Direito.

Proibido de deixar o País, o ex-deputado saiu pela fronteira com a Guiana e embarcou para os Estados Unidos com passaporte diplomático, que não estava apreendido.

O nome de Ramagem consta na lista de foragidos procurados da Interpol. O governo brasileiro solicitou aos Estados Unidos a extradição de Alexandre Ramagem. O pedido de extradição foi entregue pela Embaixada do Brasil em Washington ao Departamento de Estado no final de dezembro de 2025.

Depoimento

Em fevereiro, Ramagem prestou depoimento, por videoconferência, ao STF na ação penal da trama golpista que estava suspensa e voltou a tramitar após ele perder o mandato.

Ramagem foi diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022) e perdeu o mandato parlamentar em dezembro de 2025, por ato da Mesa Câmara em razão de condenação no Supremo Tribunal Federal.

Alexandre Ramagem era delegado de carreira da Polícia Federal, e foi demitido após a condenação.

Cooperação internacional Brasil-EUA

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que a prisão de Ramagem é “fruto da cooperação internacional Brasil-Estados Unidos no combate ao crime organizado”, e que o ex-parlamentar é “um cidadão foragido da Justiça brasileira e, segundo autoridades norte-americanas, está em situação migratória irregular”.

Em janeiro deste ano, o Ministério da Justiça informou ao STF que encaminhou às autoridades americanas um pedido de extradição de Ramagem. A Embaixada do Brasil em Washington enviou a documentação ao Departamento de Estado dos EUA em 30 de dezembro de 2025.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a inclusão do nome do bolsonarista na lista da Interpol. Pessoas próximas a Ramagem afirmam que ele tinha intenção de pedir asilo político nos EUA.

Trajetória política

Ramagem ingressou na Polícia Federal em 2005, mas ganhou notoriedade ao se tornar o chefe da equipe de segurança de Jair Bolsonaro após o atentado sofrido pelo então candidato à Presidência em 2018 em Juiz de Fora, durante a campanha eleitoral.

Após ser eleito, Bolsonaro o indicou para a chefia da Abin. Ramagem acabaria sendo acusado de usar a agência para vigiar ilegalmente adversários políticos de Bolsonaro, na chamada “Abin paralela”.

Em 2020, Bolsonaro indicou Ramagem para ser diretor-geral da PF, mas Moraes impediu a nomeação em razão de sua proximidade com a família do presidente.

Dois anos depois, ele se elegeu deputado federal pelo Partido Liberal (PL) do Rio de Janeiro, mas acabou tendo mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara em dezembro do ano passado, juntamente com Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente que também se encontra em solo americano.

Em 2024, Ramagem disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro em 2024, terminando a disputa em segundo lugar.