Cessar fogo com Irã “não terminou”, diz secretário de Defesa dos Estados Unidos

Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth afirmou nesta terça-feira (5) que o cessar-fogo com o Irã não terminou, apesar da queda de braços entre os dois países no Golfo Pérsico em meio à disputa sobre o controle do Estreito de Ormuz, que por direito é de Teerã.

Hegseth disse que os EUA haviam garantido com sucesso uma rota através do estreito e que centenas de navios comerciais estavam se preparando para atravessar, enquanto Washington busca romper o bloqueio que o Irã exerce em uma das principais vias do transporte marítimo mundial desde o início do conflito, em fevereiro.

“Sabemos que os iranianos estão constrangidos com esse fato. Eles disseram que controlam o estreito. Não controlam”, disse Hegseth em coletiva de imprensa no Pentágono.

O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, afirmou que o Irã atacou o Omã nesta segunda-feira e realizou três ataques contra os Emirados Árabes Unidos (EAU), antes de acrescentar que, pelo menos até o momento, a situação estava “mais tranquila”.

Caine disse que desde o anúncio do cessar-fogo, em 7 de abril, o Irã disparou nove vezes contra embarcações comerciais e apreendeu dois navios de transporte de contêineres, e acrescentou que os iranianos atacaram as forças americanas mais de dez vezes.

Os ataques, no entanto, ficaram “abaixo do limite necessário para reiniciar grandes operações de combate neste momento”, afirmou o general.

“Projeto Liberdade”

Questionado se o cessar-fogo com o Irã ainda estava em vigor, Hegseth disse que a trégua não acabou. “Dissemos que nos defenderíamos e nos defenderíamos agressivamente, e absolutamente o fizemos. O Irã sabe disso e, em última análise, o presidente [Donald Trump] pode decidir se algo escalar para uma violação do cessar-fogo”, disse.

As Forças Armadas dos EUA afirmam ter afundado seis embarcações iranianas e interceptado mísseis de cruzeiro e drones iranianos, após Trump enviar a Marinha para escoltar petroleiros através do Estreito de Ormuz em uma operação iniciada um dia antes, denominada Projeto Liberdade.

Diversos navios mercantes no Golfo relataram explosões ou incêndios nesta segunda-feira, no primeiro dia da operação.

Fios trocados

A fala de Hegseth se contrapõe à declaração de Donald Trump, que na segunda-feira (4) disse que os iranianos seriam “varridos da face da Terra” caso tentassem atacar navios americanos no Estreito de Ormuz ou no Golfo Pérsico.

A afirmação, considerada mais um blefe esculpido na Casa Branca, foi feita durante entrevista, por telefone, ao canal de notícias Fox News, reconhecidamente conservador e a favor do republicano. Na ocasião, Trump afirmou que os negociadores iranianos têm se mostrado “muito mais maleáveis” do que antes, o que não condiz com a realidade.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, enfatizou que as acusações de ataques no Estreito de Ormuz mostram que “não há solução militar para uma crise política”.

As declarações de Araghchi, publicadas nas redes sociais, surgem na sequência de incidentes registrados na segunda-feira no Estreito, o que provocou relatos contraditórios. A mídia estatal iraniana noticiou que o país atingiu um navio de guerra americano com dois mísseis, impedindo a embarcação de entrar em Ormuz. (Com agências internacionais)