Subjetividade ideológica: bolsonaristas defendem o uso de produtos Ypê, barrados pela Anvisa

A extrema direita, em especial a banda bolsonarista, tem como lema ser do contra, mesmo que para isso desafie a lógica, o bom-senso e até mesmo a ciência. Lunáticos, continuam acreditando que a Terra é plana e defendem o uso de vermífugo para combater vírus, como ocorreu na pandemia de Covid-19, quando mais de 700 mil pessoas morreram na esteira do negacionismo liderado pelo golpista Jair Bolsonaro.

O mais novo devaneio bolsonarista envolve a empresa Química Amparo, fabricante dos produtos da marca Ypê, cujas vendas de determinado lote foram suspensas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas liberadas temporariamente após concessão de liminar.

Vice-prefeito da cidade de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL) recomendou, em publicações nas redes sociais, o uso de produtos da marca Ypê.

“Aqui em casa, gente, é só produto Ypê. Vamos acabar com essa sacanagem que estão fazendo com uma empresa 100% brasileira. Vamos nos supermercados, vamos comprar produtos Ypê”, afirmou ele no vídeo, em que aparece lavando louça. “Vamos mudar essa história. Vamos mostrar a nossa força.”

Apesar da liminar à Química Amparo, o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e a Anvisa continuam alertando para os riscos envolvendo o uso e a comercialização dos produtos que fazem parte do lote com final 1.

Questionado pela pelo jornal “Folha de S.Paulo” se a Prefeitura da capital paulista atuaria em prol da liberação definitiva da venda dos produtos citados, Mello Araújo disse que é ex-funcionário da Ypê e que seu posicionamento foi como “cidadão”.

“Não tem nada com a prefeitura. Trabalhei na empresa antes de entrar na política e conheço a seriedade da empresa. O uso está autorizado pela Justiça, então, defendi o que acredito”, afirmou.

Em vídeo compartilhado pelo vice-prefeito de São Paulo, o senador bolsonarista Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) sugere que a Anvisa estaria agindo em represália à empresa pela doação à campanha de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022.

“Quero ver [o governo] também mandar suspender e acabar de uma vez por todas com o [jogo do] tigrinho. Quero ver ser leão, como vocês estão querendo acabar com a Ypê, e acabar com o tigrinho, que está acabando com a família brasileira”, afirmou o senador, que prefere ignorar o fato de que parlamentares do Centrão viajaram em avião do empresário responsável pelo “jogo do tigrinho” no Brasil.

A questão é que os bolsonaristas, por conveniência criminosa, confundem a realidade objetiva dos fatos com a subjetividade ideológica que os movem. Essa turba trabalha para eleger Flávio Bolsonaro, o golpista júnior, à Presidência.