Farra com emendas parlamentares beneficiou produção de filme sobre o golpista Jair Bolsonaro

O escândalo do filme “Dark Horse”, cinebiografia do golpista Jair Messias Bolsonaro, ganha um novo capítulo a cada dia. Depois da divulgação da gravação em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pede ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro (Banco Master) R$ 134 milhões para financiar o filme (R$ 61 milhões foram transferidos para um fundo registrado no Texas), agora autoridades miram emendas parlamentares que destinaram recursos à produção da cinebiografia.

Há mais de um mês, oficiais de justiça tentam cumprir uma determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e intimar o deputado federal Mário Frias (PL-SP) a prestar esclarecimentos sobre supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares a empresas da produtora artística responsável pelo filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

Em 21 de março, o ministro Flávio Dino deu cinco dias para o parlamentar responder à denúncia da também deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). Tabata acusa Frias de ter destinado ao menos R$ 2 milhões à organização não governamental (ONG) Academia Nacional de Cultura (ANC), presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama.

Karina também está à frente de outras entidades e empresas, como o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Go Up Entertainment, responsável por produzir o filme biográfico sobre Bolsonaro, previsto para estrear nos cinemas brasileiros em meados de setembro, semanas antes do primeiro turno das eleições.

A denúncia encaminhada ao STF foi motivada por reportagem, de dezembro de 2025, do site The Intercept Brasil. De acordo com a publicação, a Academia Nacional de Cultura foi contemplada com R$ 2,6 milhões oriundos de emendas parlamentares destinadas por deputados federais filiados ao Partido Liberal (PL), sigla do ex-presidente Bolsonaro. Além de Frias, são citados os deputados Bia Kicis e Marcos Pollon.

Agora, na mira das autoridades estão deputados estaduais de São Paulo filiados ao PL. Em 2023, a deputada estadual Valéria Bolsonaro (PL), ex-secretária da Mulher da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), destinou R$ 100 mil para aquisição de equipamentos pela entidade. O valor foi pago em dezembro daquele ano.

O deputado estadual Lucas Bove (PL), que, assim como Valéria, integra a bancada bolsonarista da Assembleia Legislativa de São Paulo, tentou enviar R$ 213 mil ao Instituto Conhecer Brasil para realização de projeto esportivo em 2025, mas a emenda não foi paga devido a impedimento de ordem técnica.