
Em matéria anterior, o UCHO.INFO afirmou que a frágil proposta de colaboração premiada, rejeitada pelas autoridades, piorou sobremaneira a situação de Daniel Vorcaro, ex-dono do liquidado Banco Master.
Alertamos que a demora em revelar a verdade sobre a maior fraude bancária da história brasileira reduziria a chance de homologação do acordo de delação e por conseguinte a retomada da liberdade em algum momento.
Considerando o fato de que a rejeição da proposta de delação aconteceu na esteira do escândalo envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que recebeu do ex-banqueiro mesadas que variaram de R$ 300 mil a R$ 500 mil, a epopeia do financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do golpista condenado Jair Bolsonaro, explica a transferência de Vorcaro para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Responsável pela defesa de Vorcaro, o criminalista José Luís de Oliveira Lima tem um enorme desafio: convencer os investigadores da Operação Compliance Zero e o relator do caso Master no STF, ministro André Mendonça, de que seu cliente ainda tem muito a revelar, apesar da omissão de informações importantes.

A tarefa de José Luís de Oliveira Lima não é das mais simples. Isso porque a homologação do acordo de colaboração está condicionada não apenas à revelação de fatos passíveis de comprovação, mas também e principalmente à devolução de R$ 60 bilhões. A questão financeira é o quesito de maior dificuldade.
Com as contradições e mentiras do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que solicitou ao ex-banqueiro R$ 134 milhões para custear o filme, e do deputado federal Mário Frias (PL-SP) na seara da produção cinematográfica, Vorcaro não deixará a prisão tão cedo.
O tempo de encarceramento impacta na decisão de um pretenso delator de revelar a verdade, mas, analisando o cenário atual, Daniel Vorcaro parece ter assimilado o cotidiano de detento. Do contrário, sua relutância indica que o enredo é muito mais assustador do que imaginamos. De tal modo, ficar atrás das grades é mais seguro do que recuperar a liberdade.
É fato que, por outro lado, o escândalo “BolsoMaster” interferiu no tabuleiro político nacional. A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro balança cada vez mais, ao passo que a direita está dividida e o bolsonarismo, sem rumo.



