Estados Unidos anunciam processo judicial contra o ex-líder cubano Raúl Castro

O ex-líder cubano Raúl Castro foi denunciado por promotores federais à Justiça americana pelo abatimento, em 1996, de dois aviões civis operados por um grupo de exilados que viviam nos Estados Unidos.

A denúncia, anunciada nesta quarta-feira (20), responsabiliza Castro pelo episódio. Hoje com 94 anos, ele era ministro da Defesa à época. As acusações incluem homicídio e destruição de aeronave, surgindo em momento de escalada das tensões entre Washington e Havana.

“Por quase 30 anos, as famílias de quatro americanos assassinados esperaram por justiça”, disse o procurador-geral interino Todd Blanche durante cerimônia em Miami para homenagear os mortos. “Eles eram civis desarmados e realizavam missões humanitárias de resgate e proteção de pessoas que fugiam da opressão através do estreito da Flórida.”

Questionado sobre até onde as autoridades americanas iriam para levar Castro a responder às acusações nos Estados Unidos, Blanche disse: “Foi emitido um mandado de prisão contra ele. Portanto, esperamos que ele apareça aqui, por vontade própria ou de outra forma.”

O governo americano, acrescentou Blanche, indicia pessoas fora dos Estados Unidos “o tempo todo” e usa uma variedade de métodos para levá-las à Justiça.

No início deste ano, os EUA capturaram o líder venezuelano Nicolás Maduro, acusando-o de “narcoterrorismo”. Antigo aliado de Cuba, ele está preso em Nova York, onde responde a um processo perante a Justiça americana.

Desde então, Cuba enfrenta um bloqueio americano que deixou a ilha sem combustível, levando a apagões severos, escassez de alimentos e um colapso econômico em todo o país.

O presidente Donald Trump, que já cogitou uma “tomada amigável” do país e pressiona por uma mudança de regime, quer a abertura da economia ao investimento americano e a ruptura com adversários de Washington.

Cuba critica “ação política sem base legal”

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel condenou a denúncia e acusou os Estados Unidos de mentir sobre o que aconteceu em 1996. Ele classificou o indiciamento como “uma ação política sem qualquer base legal”, que busca apenas “reforçar o caso que estão fabricando para justificar a loucura de uma agressão militar contra Cuba”.

Em publicação na rede social X, Díaz-Canel argumentou que Cuba agiu em “legítima defesa dentro de suas águas territoriais após repetidas e perigosas violações de seu espaço aéreo por terroristas notórios”.

Ele disse que autoridades americanas à época haviam sido alertadas sobre as violações, mas permitiram que continuassem.

Também nesta quarta, o secretário de Estado Marco Rubio divulgou uma mensagem em espanhol em que insta o povo cubano a exigir uma economia de livre mercado sob nova liderança.

“Estamos prontos para abrir um novo capítulo na relação entre nossos povos”, disse Rubio, que é filho de imigrantes cubanos. “Atualmente, a única coisa que impede um futuro melhor são aqueles que controlam o seu país [Cuba].”

Também no X, o vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos F. de Cossío, acusou Rubio de mentir “de forma repetida e inescrupulosa sobre Cuba” e tentar “justificar a agressão que impõe ao povo cubano”, afirmando não haver “desculpa para uma agressão tão cruel e implacável”.

Quem é Raúl Castro

Castro assumiu a liderança do regime de Cuba em 2006, substituindo seu irmão mais velho e doente, Fidel Castro, antes de transferir o poder a um aliado de confiança, Díaz-Canel, em 2018.

Embora tenha se aposentado em 2021 como chefe do Partido Comunista Cubano, ele é amplamente visto como alguém que ainda exerce poder nos bastidores.

O neto dele, Raúl Guillermo Rodríguez Castro, já se reuniu secretamente com Rubio e esteve na semana passada com o diretor da CIA, John Ratcliffe, que visitou Havana para reuniões com autoridades cubanas.

Outros dois altos funcionários do Departamento de Estado dos EUA estiveram com ele em abril. (Com agências internacionais)