
Ex-dono do liquidado Banco Master, Daniel Vorcaro assiste passivamente ao derretimento da proposta de colaboração premiada. Se por um lado a Polícia Federal, no âmbito da Operação Compliance Zero, rejeitou a proposta de delação, por outro a Procuradoria-Geral da República (PGR) não demonstrou empolgação com o documento.
Como afirmamos em edições anteriores, Vorcaro erra sobremaneira ao não revelar a íntegra da trama que emoldurou a maior fraude bancária do País. Enquanto mantém tal postura, a possibilidade de reconquistar a liberdade fica cada vez mais distante.
O ex-banqueiro deixou de fora das duas propostas de delação, entregues e rejeitadas, a aludida mesada para o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o financiamento parcial do filme “Dark Horse”, cujo valor inicial pleiteado por Flávio Bolsonaro foi de R$ 134 milhões. Vorcaro pagou R$ 61 milhões.
Quando, recentemente, Vorcaro dispensou pela segunda vez o responsável por sua defesa – o último a deixar ocaso foi o criminalista José Luiz de Oliveira Lima – ficou claro que uma consistente proposta de delação não surgirá tão cedo.
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Para complicar ainda mais o cenário de uma aceitável proposta de colaboração premiada de Daniel Vorcaro, a PF descobriu que o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), viabilizou o aporte de R$ 3,7 bilhões do RioPrevidência no Master. A decisão de Castro, então chefe do Executivo fluminense, aconteceu após vários encontros com Vorcaro.
“A atuação do ex-governador não se limitou a contatos institucionais, mas envolveu vínculo pessoal estreito com o controlador do Banco Master, caracterizado por encontros frequentes, inclusive em ambientes privados e no exterior, custeados pelo banqueiro, com elevada coincidência temporal em relação aos aportes bilionários do Rioprevidência”, destacou o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF.
Não bastasse, o Ministério Público de São Paulo anexou à investigação sobre a concessão dos cemitérios da capital paulista uma representação apresentada por vereadores e deputados, que requerem a imediata apuração da relação entre concessionárias do serviço funerário e o Banco Master, assim como eventual omissão do setor de fiscalização da Prefeitura paulistana.
O caso ganhou repercussão após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, apontar indícios de possível interferência do Banco Master na gestão dos serviços funerários paulistanos e cobrar explicações da administração do prefeito Ricardo Nunes.




