Movimentações no espectro da direita mostram que candidatura de Flávio Bolsonaro continua arranhada

Passados os primeiros momentos após a revelação do envolvimento do senador Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, no escopo do financiamento do filme “Dark Horse” (cinebiografia de Jair Bolsonaro), a avaliação de setores do empresariado aponta que a pré-candidatura do presidenciável do PL não sofreu grandes danos.

Profissionais do mercado financeiro, os extremistas da Faria Lima, recuperaram parcialmente a confiança em Flávio Bolsonaro, que continua trabalhando para tentar neutralizar os danos causados pelo escândalo do Banco Master.

É de conhecimento público que a “Faria Lima” não nutre o mais raso apreço pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas a avaliação sobre a pré-candidatura de Flávio é equivocada. Os efeitos colaterais da troca de mensagens entre o senador e Daniel Vorcaro permanecem.

Em que pese o fato de candidatos de direita fazerem declarações pregando união contra Lula, os movimentos político-eleitorais apontam na direção contrária.

O anúncio de eventual candidatura do deputado Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência da República, com o apoio do Cidadania, mostra que o projeto eleitoral de Flávio Bolsonaro não está intacto como dizem seus apoiadores. Outra prova do desgaste da candidatura de Flávio é a especulada dobradinha entre Aécio e o ex-ministro Joaquim Barbosa (STF).

Indicado ao Supremo por Lula, o ex-ministro é, por enquanto, o presidenciável da Democracia Cristão (DC). Para alguém que já foi filiado ao esquerdista PSB, Joaquim Barbosa surpreende ao ser candidato de uma legenda de direita. Porém a política, em especial a brasileira, tem dessas incongruências. Afinal, Aldo Rebelo, conhecido por cerrar as fileiras do PcdoB, era até recentemente candidato da DC.

Mais um sinal do estrago causado pelo Master na candidatura de Flávio Bolsonaro surgiu nesta quarta-feira (27). O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), já falam em unir forças no primeiro turno da corrida presidencial. Zema seria cabeça de chapa, Caiado, vice.

Considerado até pouco tempo um bolsonarista de primeira hora, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, não economiza palavras para cobrar de Flávio explicações sobre o escândalo Master-Vorcaro.

Em recente agenda na Grande São Paulo, Tarcísio afirmou: “Como eu falei, eu acho que tem muitas questões que ele mesmo precisa explicar. A população está vendo esse escândalo do Banco Master, que é uma coisa que agride a sociedade como um todo. Isso deixa a sociedade em alerta e aí tudo tem que ser muito bem explicado”.