Ligado a milicianos do RJ, Flávio Bolsonaro diz que Lula parece “chefe do PCC”

Reza a sabedoria popular que “quem sai aos seus não degenera”. No caso do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o dito popular pode ser adaptado para “quem sai aos seus não regenera”. Em outras palavras, o pré-candidato à Presidência da República herdou a desfaçatez do pai, o golpista condenado Jair Bolsonaro.

Nesta segunda-feira (8), durante evento com empresárias em São Paulo, organizado pelo Grupo Voto, Flávio afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) parece “o chefe do PCC” diante da postura contrária à decisão do governo dos Estados Unidos de classificar a facção paulista e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

“[A classificação] é a maior oportunidade que nós temos de acabar com esse poder paralelo, que é o que eles são. Então não tem que ter tolerância, tem que ter unidade da nossa parte. Aí você olha para o presidente do Brasil, ele pensa o contrário. Parece que ele é o chefe do PCC. Muitas pessoas começam a pensar isso”, disse Flávio.

“Os governos do PT vieram numa linha de desencarceramento. A gente precisa de uma linha que combata a impunidade, porque foi essa a consequência dos governos do PT”, disse o senador.

“Todos nós [estamos] aqui sofrendo com a violência nas ruas, todo mundo anda com medo, anda preocupado. Imagina quem não tem condição de ter um carro blindado, de ter um segurança, ou de morar num condomínio, que é a grande maioria do povo brasileiro”, afirmou.

No tocante às facções criminosas, Flávio Bolsonaro não tem oral para tratar do assunto, pois enquanto deputado estadual no Rio de Janeiro se aproximou do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, que emplacou a mãe e a esposa no então gabinete do agora senador.

Não bastasse, Flávio, na eleição de 2018, conquistou 90% dos votos nas zonas eleitorais da comunidade de Rio das Pedras, região dominada por milicianos. O mesmo ocorreu em 2022, quando Jair Bolsonaro tropeçou na tentativa de reeleição, mas saiu vencedor nas regiões do Rio de Janeiro controladas pela milícia.

Em várias ocasiões, Jair Bolsonaro Jair Bolsonaro fez discursos no plenário da Câmara dos Deputados elogiando grupos de extermínio e defendendo policiais ligados a milícias do Rio de Janeiro.

2003: Em discurso, afirmou que o “crime de extermínio” seria “muito bem-vindo” na ausência da pena de morte e chegou a oferecer apoio aos grupos na Bahia e no Rio de Janeiro.

2005: Usou a tribuna para defender o ex-policial militar Adriano da Nóbrega (morto em 2020), que era acusado de chefiar milícias, atacando sua condenação por homicídio.

2008: Durante o encerramento da CPI das Milícias, criticou o relatório final e defendeu que “não se pode generalizar” ao falar sobre milicianos.

Em relação ao mencionado “desencarceramento”, Flávio deveria saber que esse tema é afeto à legislação penal, que somente o Congresso Nacional pode alterar.

A declaração de Flávio Bolsonaro sobre Lula é um deboche desmedido, típico de alguém que na condição de pré-candidato ao Palácio do Planalto não tem propostas para apresentar.

Sobre a sensação de insegurança de quem anda pelas ruas, Flávio poderia aconselhar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sempre subserviente ao bolsonarismo. Na maior cidade do País, São Paulo, os criminosos agem de forma deliberada, sem temer a presença da polícia.

Quanto ao crime organizado, o PCC conta com o apoio de policiais paulistas, que facilitam ações criminosas. Basta ver o que acontece nas duas margens do Porto de Santos, por onde são exportadas toneladas de drogas. Policiais que combatem o crime organizado, com o uso de inteligência, são costumeiramente remanejados para postos de menor influência.