Justiça da Itália divulga motivos que embasaram a não extradição de Carla Zambelli

A Justiça italiana divulgou nesta sexta-feira (12) o acórdão da decisão que resultou na absolvição da ex-deputada federal Carla Zambelli no âmbito de um dos processos de extradição contra ela no país europeu.

A sentença foi publicada pela Corte Suprema de Cassação da Itália, a mais alta instância judicial do país, e detalha os motivos que levaram à anulação da extradição de Zambelli ao Brasil, decisão originalmente tomada em 22 de maio de 2026. O pedido de extradição brasileiro em questão foi feito com base no processo em que Zambelli foi condenada a mais de 10 anos de prisão por invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Há um segundo processo de extradição na Justiça italiana, relacionado à condenação da ex-deputada por porte ilegal de arma e ameaça com arma de fogo.

Em 22 de maio, a Corte de Cassação revogou a sentença da Corte de Apelações da Itália autorizando a extradição após aceitar um recurso da defesa da ex-deputada e, um dia depois, ela foi solta na Itália. O processo ainda necessita do parecer do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, que tem prazo de 45 dias para se manifestar a partir do acórdão da nova decisão da Justiça.

De acordo com os magistrados italianos, houve indícios relevantes de violação ao princípio da imparcialidade no julgamento que condenou Zambelli no Brasil. O documento aponta que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes teria atuado simultaneamente em diferentes funções no processo – incluindo como suposta vítima dos fatos e como julgador – o que levantou dúvidas sobre a independência do tribunal.

A Corte afirmou que esse acúmulo de papéis compromete princípios fundamentais do direito a um julgamento justo, destacando a necessidade de separação clara entre as funções de investigação, acusação e julgamento.

Fundamentação jurídica

No acórdão, os juízes italianos sustentam que a eventual falta de imparcialidade do tribunal de origem representa um obstáculo à extradição, já que viola garantias essenciais previstas tanto na Constituição italiana quanto em tratados internacionais.

O texto menciona que foram identificados “diversos elementos capazes de suscitar dúvidas sobre a imparcialidade objetiva” do STF no caso específico de Zambelli.

Ainda de acordo com a decisão, o acúmulo de funções atribuído a Moraes – como juiz em diferentes instâncias do processo e também como parte diretamente afetada pelos fatos – foi considerado incompatível com os padrões europeus de justiça.

Condenação pelo STF

Carla Zambelli foi condenada pelo STF no Brasil a mais de dez anos de prisão por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em um episódio que incluiu a inserção de documentos falsos, como um suposto mandado de prisão contra o próprio ministro Alexandre de Moraes.

Após a condenação, a ex-deputada deixou o país e foi localizada na Itália, onde acabou presa. O Brasil então formalizou o pedido de extradição, que passou a ser analisado pela Justiça italiana.

Com a anulação da extradição, Zambelli foi libertada. No entanto, o caso não encerra os problemas jurídicos envolvendo a ex-deputada no país europeu, já que ainda existe um segundo processo de extradição em andamento na Justiça da Itália, relacionado a outra condenação dela no Brasil, por porte ilegal de arma de fogo e ameaça. (Com agências internacionais)