Donald Trump comemora 80 anos com lutas de UFC na Casa Branca

Completando 80 anos neste domingo (14), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, programou uma celebração incomum: um evento de lutas de artes marciais mistas pelo Ultimate Fighting Championship (UFC).

Em meio a uma guerra de três meses com o Irã — amplamente impopular entre os americanos — e à alta da inflação ao nível mais elevado desde abril de 2023, a Casa Branca abriu o jardim sul para sediar a luta. O local, normalmente símbolo da democracia americana, recebeu uma estrutura de arena para o evento.

Mais de US$ 60 milhões e dezenas de milhares de horas de trabalho foram investidos na construção da arena, de acordo com um processo judicial do Serviço Nacional de Parques. Embora Trump afirme que o UFC está financiando o evento, o custo total não foi integralmente divulgado.

A programação inclui sete lutas, todas com homens, sob o nome “Freedom 250”, em referência ao aniversário de Trump e aos 250 anos da Declaração de Independência dos EUA, que se comemora em 4 de julho. O presidente vem tentando associar o evento ao aniversário da declaração e ao Dia da Bandeira, que coincide com o seu aniversário.

O card principal, criticado por fãs nas redes sociais como pouco atrativo, tem como destaque o brasileiro Alex Pereira contra o francês Ciryl Gane pelo título interino dos pesos pesados. Em outra luta, o campeão dos leves Ilia Topuria enfrenta o interino Justin Gaethje. Outras cinco terão lutas com nomes conhecidos, como Michael Chandler, Derrick Lewis e o ex-campeão Sean O’Malley.

Relação de longa data com o UFC

O evento marca o auge da relação entre Trump e o CEO do UFC, Dana White, que já dura cerca de 25 anos e trouxe ganhos pessoais, políticos e financeiros para ambos.

Em 2001, White organizou seu primeiro evento como presidente do UFC em um cassino de propriedade de Trump em Atlantic City.

O republicano assistiu a quatro eventos do UFC enquanto presidente, entrando nas arenas ao som de música e aplausos do público. White também participou de duas convenções do Partido Republicano ao lado de Trump.

O UFC anunciou uma parceria com a empresa de criptomoedas World Liberty Financial — cofundada pela família Trump — para criar um bônus de 250 mil dólares aos vencedores das lutas. A iniciativa levanta questionamentos sobre a relação entre interesses privados e ações do governo.

Cúpula do G7 ajustou agenda

Trump deverá ser recebido por membros do gabinete, altos funcionários do governo, parlamentares republicanos e mais de 4 mil espectadores em uma arena temporária montada sob uma estrutura metálica com aparência de nave espacial, equipada com iluminação, som e telões. Outros milhares acompanharão o evento por telões instalados nas imediações a partir das 20h da costa leste (21h de Brasília).

A cerca de 1,5 quilômetro da celebração, o nome do presidente foi retirado do Kennedy Center após uma decisão judicial considerar excessiva a homenagem. A cúpula do G7, que começa na segunda-feira, ajustou a agenda para permitir que o presidente participe da festa antes de seguir para a França.

White afirmou que o evento ocorrerá independentemente das condições climáticas. Tempestades e raios já afetaram uma ação promocional na sexta-feira, e a previsão para a noite de domingo também indica risco de mau tempo.

Contraste com antecessor

A celebração marca uma ruptura com o estilo do antecessor. Quando completou 80 anos em novembro de 2022, o então presidente Joe Biden optou por um discreto brunch familiar na Casa Branca.

Questionada sobre o contraste, a porta-voz da Casa Branca, Allison Schuster, disse que o evento “será uma das noites mais emocionantes da história americana” e que o momento é apropriado.

Biden foi o presidente mais velho da história dos EUA até o seu mandato. Trump agora ocupa esse posto e, embora esteja constitucionalmente impedido de concorrer novamente, segue alimentando publicamente essa possibilidade.

Pesquisas indicam crescente ceticismo da população sobre sua saúde física e mental. Um levantamento Washington Post/ABC News/Ipsos realizado em abril mostrou que menos da metade dos adultos americanos acredita que Trump tenha condições físicas e cognitivas para exercer o cargo de forma eficaz.

O governo rebateu com uma declaração do ex-médico presidencial Ronny Jackson, que classificou o presidente como uma pessoa de “resistência, foco e força excepcionais”. O atual médico da Casa Branca, Sean Barbabella, também afirmou recentemente que Trump está em “excelente saúde”. (Com agências internacionais)