Agarrados ao discurso de ódio, influenciadores (sic) levarão a extrema direita ao naufrágio

A rede mundial de computadores revolucionou a sociedade, rompeu barreiras e criou formas de relacionamento até então inimagináveis. Por outro lado, nesse universo tecnológico sem limites surgiram falsos Messias, que se apresentam aos incautos como senhores da verdade suprema, sempre ancorados no conservadorismo torpe.

Esse cenário impacta diretamente as decisões dos eleitores diante de um cipoal de pretensos salvadores da pátria, que na verdade buscam se lambuzar nas benesses do poder.

Há dias, em nauseante transmissão na internet, Paulo Figueiredo Filho, neto do último presidente da ditadura militar (João Batista de Oliveira Figueiredo), disse que mulheres “votam muito mal”.

“Mulher vota estatisticamente muito mal, principalmente mulheres solteiras. Mulheres casadas em geral tendem a acompanhar o voto do marido. Mulheres solteiras não, isso que eu vou dizer, pode arrancar os pentelhos das calcinhas, pode fazer o que você quiser”, afirmou Figueiredo, que se apresenta como empresário e influenciador.

Um dos grandes males que o avanço da tecnologia produziu é a figura do influenciador, que regurgita sandices a todo momento, fazendo a alegria da amestrada turba de seguidores.

A live de Paulo Figueiredo teve o objetivo de atacar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que em vídeo divulgado recentemente afirmou ter sido maltratada e desrespeitada pelo enteado Flávio.

Figueiredo, ao que parece, conseguiu colocar em prática sua porção de influenciador, pois pode ter convencido boa parte das mulheres brasileiras a não votar em Flávio Bolsonaro, caso sua candidatura resista.

Considerando que quem sai aos seus não degenera, como prega a sabedoria popular, a declaração misógina de Paulo Figueiredo encontra explicação na genética. Para tanto é importante recordar a infame frase de Figueiredo, o último presidente da ditadura: “Prefiro cheiro de cavalo ao cheiro de povo”.

Não bastasse, surgiu na vala do conservadorismo nacional mais um representante da insensatez. Trata-se do influenciador (sic) Leonardo Marcondes, que em vídeo disse que pessoas pobres não deveriam ter o direito de votar no Brasil.

“Você já parou pra pensar que pobre não devia ter direito de votar? Pensa comigo. Uma pessoa que é pobre, ela não soube tomar boas decisões pra ter o melhor pra sua família e pra si mesma. E essa pessoa que não tomou boas decisões pra ter o melhor pra si mesma, ela vai agora tomar uma decisão que vai ser o melhor para o país”, declarou Marcondes, que nas redes sociais se apresenta como “treinador financeiro”.

“Qual que é a habilidade que essa pessoa tem ao tomar decisões? Nenhuma. É uma pessoa que não deveria votar. Porque um país ou uma empresa não pode estar nas mãos de uma pessoa que não consegue nem ter responsabilidade sobre as próprias atitudes. Tenta pensar quão que o mundo seria um lugar melhor se os pobres não votassem, se o poder de decisão de um país ficasse nas mãos dos ricos, até que o pobre, ele ficasse rico pra que ele conseguisse ter o poder de tomar decisões também”, disse Marcondes.

O criminoso espetáculo de aporofobia rendeu a Leonardo Marcondes uma ação no Ministério Público de São Paulo, para quem o conteúdo da página do influenciador “apresenta discurso de ódio contra parcela da população e busca excluir pessoas pobres da participação política”. O “treinador financeiro”, se condenado, terá de pagar R$ 300 mil por danos morais coletivos e dano social.

Depois da fracassada tentativa de golpe de Estado liderada por Jair Bolsonaro, a direita brasileira tenta chegar ao poder para, entre tantas intenções, anistiar os condenados pelo fatídico 8 de janeiro.

Com a ajuda de influenciadores como Paulo Figueiredo, restolho da ditadura militar brasileira, e Leonardo Marcondes a direita verde-loura corre o risco de novamente ser derrotada nas urnas de outubro próximo.