
Diferentemente do que prometem durante o período eleitoral, políticos, quando no exercício dos cargos eletivos, cuidam apenas dos próprios interesses, ignorando as pautas prioritárias ao País e à população.
Nas semanas que antecedem as eleições que se aproximam, o Congresso Nacional se dedica a aprovar matérias que comprometem ainda mais o equilíbrio fiscal, enquanto parlamentares chafurdam no lamaçal das emendas sem transparência e rastreabilidade.
Não é preciso tirocínio para compreender que emendas parlamentares são de direito de deputados e senadores, desde que o contribuinte consiga identificar o destino e a aplicação do suado dinheiro público.
Em decisão recente, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de valores e bens de Valdemar Costa Neto até o montante de R$ 119 milhões por conta de emendas parlamentares indicadas por alguém que não exerce mandato eletivo. O mesmo aconteceu com Eduardo Cunha, que teve bloqueados R$ 6,1 milhões em bens e valores.
No primeiro momento, ambos negaram ter indicado emendas parlamentares, mas Costa Neto, em entrevista à GloboNews, disse que o presidente nacional de um partido político é a pessoa mais capacitada para direcionar emendas parlamentares. Em suma, o presidente nacional do PL é réu confesso.
Por outro lado, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou que o STF “tenta criminalizar a atividade política”, como se o Congresso necessitasse de ajuda externa para confirmar o que nove entre dez brasileiros sabem.

Depois da crítica, Motta resolveu moderar o discurso, como forma de evitar o embate com o Supremo, e disse que a Câmara está cumprindo a lei.
“Nós vamos defender aquilo que está sendo feito. Nós temos a convicção de que a Câmara está cumprindo a lei acerca da aplicabilidade, da execução das emendas de comissão. E nós vamos demonstrar isso dentro do processo, contando o devido processo legal e fazendo todos os esclarecimentos necessários”, afirmou Motta.
Hugo Motta é “cria” de Arthur Lira, cuja ex-assessora, Mariângela Fialek, a “Tuca”, se incumbiu de direcionar as emendas parlamentares indicadas por Costa Neto e Cunha. Lira, por sua vez, tem em Eduardo Cunha uma fonte de inspiração, como noticiamos anteriormente.
Ultrapassa as fronteiras da galhofa a declaração de Motta sobre o fato de a Câmara estar cumprindo a lei, quando na verdade há inequívoco descumprimento da legislação, algo que diuturnamente acontece no Congresso à sombra da impunidade.
Sobre a alegada criminalização da atividade política por parte do STF, como disse Hugo Motta, trata-se de devaneio de quem ignora o banditismo político que faz refém o Brasil e os brasileiros.
Após Valdemar Costa Neto afirmar que os dirigentes de todos os partidos políticos indicam emendas parlamentares, o ministro Flávio Dino fixou prado de dez dias para que os presidentes de 21 legendas expliquem a terceirização de emendas.



