Rejeição a Donald Trump

(*) Gisele Leite

Um recorde alcançado, pois Donald Trump, atual Presidente dos EUA, é tido como o menos confiável da história da humanidade. É o que nos revela a pesquisa do Pew Research Center, que aponta que 76% dos 42 mil entrevistados em 36 países diferentes possuem visão negativa dele.

No Brasil, as políticas de Trump são pouco populares: 81% desaprovam as tarifas, 76% são contra a guerra no Irã e apenas 33% apoiam a captura de Nicolás Maduro na Venezuela. Esses dados, embora significativos, têm recebido pouca atenção, mesmo com Trump sendo uma figura central na campanha de Flávio Bolsonaro (PL).

De acordo com o Pew, 76% dos brasileiros acreditam que Trump interfere excessivamente nos assuntos do Brasil, número próximo aos 75% na Argentina de Milei, que também criticam essa intromissão.

Diferente das pesquisas eleitorais que capturam intenções de voto imediatas, o Pew mede tendências estruturais. A pesquisa, realizada entre fevereiro e maio, mostrou que, sob Trump, os Estados Unidos perderam liderança, confiança e admiração, sendo vistos de forma mais negativa do que a China em 25 dos 36 países pesquisados.

O apoio de Trump tem sido frequentemente prejudicial. Sua abordagem imperialista e interferência agressiva em outros países, incluindo aliados, tem gerado reações contrárias. Isso já ocorreu no Canadá e na Hungria, e pode se repetir no Brasil. O candidato da extrema-direita e seus aliados estão cientes disso, mas agora, é tarde para esconder o boné do Maga, exibido com entusiasmo por boa parte da direita brasileira.

Donald Trump atingiu uma reprovação de 66% nos Estados Unidos, com apenas um terço de aprovação popular. Essa queda expressiva reflete o descontentamento dos norte-americanos com a condução da economia e a rejeição a conflitos militares no exterior.

Eis os fatores da queda de popularidade:

Economia e inflação: A frustração com a alta nos preços dos combustíveis e o custo de vida pesam contra a gestão.

Tensões geopolíticas: O envolvimento em conflitos externos, como a guerra com o Irã, reduziu o apoio de eleitores independentes.

Perda da base moderada: Eleitores independentes e moderados que apoiavam o governo afastaram-se nos últimos meses.

As pesquisas mais recentes indicam que Trump é, agora, praticamente o presidente de segundo mandato mais impopular nesta fase do governo em toda a história das sondagens de opinião, desde a década de 1940.

A única exceção não é algo que traga muito consolo a Trump. É o caso de Richard Nixon, que tinha ainda menos apoio público nesta fase de seu segundo mandato, mas, naquele momento, estava a poucos dias de renunciar devido ao escândalo de Watergate.

O desafio para Trump e os republicanos é que a avaliação do presidente é negativa em praticamente todas as áreas, inclusive naquelas em que ele historicamente era mais forte, como economia e imigração.

(*) Gisele Leite – Mestre e Doutora em Direito, é professora universitária.

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