Trump assina ordem executiva contra “turismo de nascimento”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez nesta quinta-feira (6) mais uma tentativa de restringir a cidadania por nascimento, assinando duas ordens voltada àqueles que, na opinião do republicano, entram no país sob o pretexto de turismo, quando na verdade pretendem parir uma criança em solo estadunidense.

“Eles pegaram a cidadania por nascimento e a transformaram em uma piada”, disse Trump a jornalistas no Salão Oval.

De acordo com o político, serão duas ordens: uma limitando o número de pessoas elegíveis para a obtenção de cidadania americana após nascer nos EUA, outra que aumenta as restrições para visitantes que pretendam obter vistos para dar à luz no país.

A tentativa de Trump de acabar com a cidadania por nascimento faz parte de uma campanha mais ampla para limitar a imigração, que inclui a expulsão de milhões de imigrantes sem documentação e a retirada de proteções contra deportação para cidadãos de mais de uma dezena de países.

Suprema Corte barrou tentativa anterior

No fim de junho, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou uma tentativa anterior de Trump de restringir esse direito garantido pela Constituição.

“Estamos fazendo ajustes porque isso é muito injusto”, afirmou Trump nesta quinta, referindo-se à decisão da Suprema Corte.

A ordem derrubada havia sido assinada no ano passado e determinava que crianças nascidas de pais que estejam ilegalmente nos Estados Unidos ou com vistos temporários não se tornavam automaticamente cidadãs americanas.

Tribunais de instâncias inferiores bloquearam a medida, citando a 14ª Emenda. A Suprema Corte concordou, em uma decisão apoiada por dois juízes de orientação conservadora.

A 14ª Emenda estabelece que “todas as pessoas nascidas ou naturalizadas nos Estados Unidos, e sujeitas à sua jurisdição, são cidadãs dos Estados Unidos”. Ela não se aplica a pessoas que não estejam sujeitas à jurisdição americana, como filhos de diplomatas estrangeiros.

Trump implementou regra em 2020

Nenhuma lei americana proíbe explicitamente o chamado “turismo de grávidas”, mas uma regulamentação federal implementada em 2020, durante o primeiro mandato de Trump, proíbe o uso de vistos temporários de turismo e de negócios com o objetivo principal de obter cidadania americana para um recém-nascido.

Pessoas envolvidas em esquemas do tipo podem ser processadas por fraude ou outros crimes relacionados.

Não há dados oficiais sobre o número de estrangeiros que viajam aos Estados Unidos com o propósito explícito de dar à luz e obter cidadania para seus filhos.

O “Center for Immigration Studies”, que defende níveis mais baixos de imigração, estimou em análise de 2020 que entre 20 mil e 25 mil mães viajaram aos Estados Unidos para o turismo de nascimento no período de um ano entre 2016 e 2017. Houve 3,6 milhões de nascimentos nos EUA em 2025. (Com agências internacionais)