Terremoto na Colômbia põe à prova resposta do novo governo, liderado por Abelardo de la Espriella

Socorristas correm contra o tempo para achar desaparecidos entre os escombros deixados pelo poderoso terremoto que atingiu a Colômbia na última segunda-feira (10). À medida em que vai se estreitando a janela para encontrar sinais de vida, passam por uma prova de fogo o novo presidente Abelardo de la Espriella e seu recém-empossado governo de ultradireita, iniciado apenas três dias antes da tragédia.

Nos primeiros dias à frente do governo, o presidente – até então um advogado e empresário, que venceu as eleições deste ano ao se apresentar como um forasteiro político – decretou estado de emergência. Ele prometeu subsídios para aluguel a famílias afetadas durante uma visita a Pereira, na terça-feira. Outra prioridade anunciada pelo governante é o reforço do sobrecarregado sistema de saúde, em meio a um colapso hospitalar.

Nesta quarta-feira (12), o balanço revisado do número de mortes causadas pelo terremoto é de 216.

Contudo, na linha de frente das operações de resgate, agências humanitárias consideram as primeiras 48 a 72 horas cruciais para localizar sobreviventes. Esse período pode ser ampliado se as pessoas tiverem acesso a alimentos e água.

Tomando parte do trabalho nas próprias mãos, a sociedade civil tenta levar ajuda às comunidades vulneráveis mais afetadas, que incluem as cidades de de Cali, Pereira, Manizales e Quibdó.

Os esforços de emergência têm sido dificultados pela pobreza extrema e o conflito armado, que provocam deslocamentos populacionais há décadas. “Esse terremoto agrava uma situação que já era grave, e há necessidade de ampliar o apoio à resposta humanitária”, afirmou Giovanni Rizzo, diretor do Conselho Norueguês para Refugiados na Colômbia.


 
Ajuda humanitária no solo

Em razão das frágeis condições de segurança, organizações de ajuda externa já tinham operações estabelecidas em algumas áreas que agora estão com maior necessidade de apoio, incluindo Chocó, o epicentro do terremoto.

“Temos presença no terreno. Portanto, acredito que nossa capacidade de estar lá, ao lado das pessoas, aumentou exponencialmente”, afirmou, na terça-feira, María José Torres, coordenadora da Organização das Nações Unidas (ONU) na Colômbia.

Ao mesmo tempo, outros países e organizações internacionais sem fins lucrativos continuam enviando ajuda. Os Estados Unidos já ofereceram mais de US$ 15 milhões (R$ 77 milhões) em assistência, enquanto a União Europeia (UE) anunciou 2 milhões de euros (R$12 milhões) nesta quarta-feira.

Por sua vez, o México afirmou estar preparado para enviar centenas de profissionais de resgate e de saúde, além de toneladas de suprimentos médicos e equipamentos. Também o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, anunciou que enviará, nos próximos dias, dois aviões carregados com 100 toneladas de ajuda humanitária.

Já o Brasil disse, na esteira do terremoto, que tinha “disposição de colaborar, na medida de suas capacidades, com as autoridades colombianas nas ações de resposta à emergência”.

Voluntários ajudam com as próprias mãos

Equipes de emergência recorrem a guindastes, cães farejadores e máquinas pesadas para procurar sobreviventes em edifícios destruídos.

Enquanto isso, voluntários formam correntes humanas para remover escombros manualmente, na esperança de chegar a pessoas ainda presas sob estruturas que desabaram. Em Cali, por exemplo, moradores munidos de picaretas, pás e das próprias mãos se juntaram aos bombeiros nas operações de busca.

Em meio à destruição, milhares de pessoas levaram água, alimentos e suprimentos para os bairros afetados, enquanto longas filas se formavam nos centros de doação de sangue. “Trata-se de querer ajudar sua comunidade, sua cidade e seu país”, disse o doador Ferney Cabrera.

Com a chegada da noite de quarta-feira na cidade, famílias se preparavam para dormir em parques. Tremores secundários sacudiam bairros danificados, onde quarteirões inteiros haviam sido reduzidos a escombros. (Com agências internacionais)