Washington ameaça sufocar economia do Irã; sem revelar plano, Trump fica na promessa

Em mais uma iniciativa propagandeada como “sem precedentes”, desta vez para sufocar a economia do Irã, os Estados Unidos anunciaram que pretendem ampliar sanções contra o regime em um momento em que a guerra no Oriente Médio prossegue sem qualquer resolução ou progresso real à vista.

No entanto, a iniciativa, propagandeada inicialmente pelo presidente Donald Trump como um “Dia D econômico”, ficou em grande parte no terreno das ameaças.

O anúncio foi feito pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, na segunda-feira (24). Ele afirmou que os EUA estão incluindo cinco setores da economia iraniana em sua lista de alvos: criptomoedas utilizadas pela Guarda Revolucionária do Irã e por integrantes do regime; tecnologias relacionadas a armamentos; ouro usado para estabilizar a moeda iraniana; companhias aéreas do Irã; e o transporte marítimo de componentes de armas e petróleo.

Os EUA também anunciaram sanções contra 60 entidades, indivíduos e embarcações que permitem ao Irã adquirir tecnologia nuclear ou de mísseis, realizar operações cibernéticas e vender petróleo.


 
Bessent também disse que Washington pretende ampliar a pressão contra o regime por meio de sanções secundárias contra os parceiros comerciais do Irã.

Ele afirmou que Trump está entrando em contato com outros líderes mundiais para exigir que apoiem os Estados Unidos na busca pela “asfixia econômica do regime”. “Em todo o mundo, nosso objetivo é cortar qualquer linha de vida econômica que sustente esse regime tirânico, até que Teerã fique isolado”, disse Bessent em coletiva de imprensa. “Vamos responsabilizar a todos”, completou.

Porém, o secretário não identificou os líderes contatados nem detalhou ou estabeleceu um prazo para punições contra países que negociam com o Irã, levando alguns analistas a apontarem que a fanfarra do governo Trump anterior ao anúncio pode não se traduzir em ação de fato. Bessent indicou que novas medidas devem ser divulgadas ao longo da semana.

Ao ser questionado sobre as razões que levaram os EUA a não anunciar sanções abrangentes de imediato contra nações que ainda negociam com o Irã, Bessent afirmou que o governo Trump quer dar a esses países uma “oportunidade de corrigir condutas inadequadas”.

“Por que eu iria querer destruir o sistema financeiro global?”, retrucou Bessent. “Acreditamos que um aviso prévio e um alinhamento de expectativas são medidas adequadas.”

O jornal The Washington Post apontou que alguns especialistas independentes consideraram o anúncio de segunda-feira pouco impactante, especialmente após as advertências de Trump e Bessent sobre a deflagração de um “Dia D econômico” contra o Irã e seus parceiros comerciais. (Com Deutsche Welle)