
O governo dos Estados Unidos anunciou ter atacado lançadores de foguetes iranianos em uma pequena ilha no Estreito de Ormuz na noite deste domingo (31). O ataque americano, o primeiro desde o fim de julho, teve baixas confirmadas pela Guarda Revolucionária do Irã, que retaliou contra países aliados de Washington na região.
“Mais cedo hoje, forças americanas atacaram dois lançadores iranianos na Ilha de Larak”, disse um porta-voz do Comando Central dos EUA (Centcom).
As forças americanas afirmam ter agido para impedir que o Irã lançasse mais minas marítimas no estreito. Dias antes, elas anunciaram que haviam concluído a remoção de explosivos da hidrovia, por onde, antes da guerra, escoava cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo.
“As forças americanas estão monitorando a área de perto e permanecem preparadas para proteger o livre fluxo do comércio por essa via navegável essencial”, afirmou o capitão da Marinha Tim Hawkins, porta-voz do Centcom.
Vídeo gerado por IA
O presidente estadunidense, Donald Trump, chegou a postar um vídeo gerado por inteligência artificial que supostamente mostraria danos a outra ilha, Kharg, importante hub petrolífero iraniano. Mas não houve confirmação de qualquer ataque à ilha.
“Os tweets de Trump são risíveis e as condições em Kharg estão calmas e apropriadas”, afirmou o CEO da Companhia Nacional Iraniana de Petróleo na segunda-feira, segundo a agência estatal Nournews.
A nova escalada ocorreu pouco depois de a guerra entre EUA e Irã completar seis meses, em um momento em que as hostilidades vinham diminuindo.
Nas últimas semanas, o governo Trump vinha respondendo ao bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz com uma “guerra econômica” contra o Irã em vez de ataques militares.

Como o Irã respondeu
A Guarda Revolucionária disse ter atingido “infraestrutura técnica, instalações de manutenção e posições de caças inimigos nas bases aéreas King Hussein e Al-Azraq, operadas pelos EUA na Jordânia”, utilizando mísseis balísticos e causando “grandes danos”, de acordo com a televisão estatal.
A Jordânia disse ter interceptado oito mísseis, sem declarar de onde vieram.
As forças iranianas também visaram a base aérea Al Minhad, nos Emirados Árabes Unidos, que abrigaria soldados e helicópteros americanos.
O Ministério de Defesa emiradense disse ter “lidado” com um drone iraniano ainda no oceano e negou que a base de Al Minhad tenha sido atingida.
No Estreito de Ormuz, um petroleiro pegou fogo após ser atingido por duas minas navais, informou a TV estatal iraniana, citando a Guarda Revolucionária. De acordo com Teerã, o navio estaria tentando passar ilegalmente. Outros navios que insistissem na prática teriam o mesmo destino.
Embora Trump tenha afirmado repetidamente que o Estreito de Ormuz está aberto, a Marinha da Guarda Revolucionária do Irã classificou essas declarações como “uma mentira evidente”, reiterando que o estreito continua fechado para embarcações que não possuam autorização iraniana para transitar.
Nesta segunda-feira, o presidente iranianano, Masoud Pezeshkian, foi citado pela imprensa estatal dizendo que o país não buscava a guerra, mas responderia decisivamente a qualquer agressão.
“Não ficaremos nunca calados diante de qualquer agressão e responderemos decisivamente aos agressores”, disse Pezeshkian. (Com agências internacionais)



