
O plano do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para vender a ideia de que é a derradeira ode à moralidade pública nacional começa a sofrer solavancos. Relator do caso do Banco Master no STF, Mendonça reuniu-se com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro em 14 de março de 2025, na capital paulista.
O encontro, confirmado por Mendonça nesta quarta-feira (2), foi intermediado pelo advogado Ciro Rocha Soares, ligado a Vorcaro.
No dia 8 de fevereiro de 2025, em mensagem deáudio enviada ao ex-banqueiro, que está preso em Brasília, o advogado afirma: “Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco [alfaiataria] agora, pra fazer um terno”. A informação foi revelada pelo jornalista Paulo Motoryn, da newsletter “Noites Húngaras”.
Um dos mais conhecidos nomes da alta alfaiataria masculina de luxo no Brasil, Vasco Vasconcelos mantém ateliês em São Paulo e Brasília e cobra de R$ 8 mil a R$ 20 mil por um terno feito sob medida, valor que pode ser maior dependendo da qualidade e da procedência do tecido utilizado na confecção.
Enfrentando os primeiros respingos do lamaçal em que se transformou o bilionário escândalo do Banco Master, André Mendonça, que em nota afirmou não comentar diálogos privados entre terceiros, se apressou em negar que tenha recebido o terno de presente. Para quem não é adepto de cometários sobre diálogos alheios, Mendonça está com excesso de afobação.
Indicado ao STF por ser “terrivelmente evangélico”, André Mendonça parece ter dificuldade quando o assunto é a boa e velha aritmética. Uma pessoa que recebe mensalmente salário de R$ 46 mil (valor bruto), não tem condições de aterrissar em uma alfaiataria que cobra R$ 20 mil por um terno, ou seja, 40% da remuneração mensal.
Dados do Portal da Transparência do STF mostram que a remuneração bruta de Mendonça, após a aplicação do teto constitucional e somada a outras verbas, foi de R$ 57.957,14 em julho. Já a remuneração líquida no mesmo mês foi de R$ 30.473,47. Nesse caso, a comparação com o valor do terno gera mais questionamentos.
O relator do caso do Banco Master, tudo indica, já não memoriza as próprias palavras. Em 21 de agosto passado, durante o encerramento do V Seminário Nacional da Associação Nacional de Magistrados Evangélicos (Anamel), André Mendonça afirmou: “Um ministro do Supremo te coloca numa classe média de vida. Uma classe B, que não é rica, mas que não tem que se preocupar com as contas no fim do mês. O propósito de um magistrado não pode ser ficar rico”.
Se o cargo de ministro do Supremo coloca o cidadão “numa classe média de vida”, de acordo com a fala de Mendonça, um terno no valor de R$ 20 mil é disparate ainda maior.
Em suma, André Mendonça garante que não ganhou o terno de presente, ao passo que Daniel Vorcaro acredita que pagou a conta da alfaiataria. Tudo em nome do Senhor!




