
Agentes federais dos Estados Unidos realizaram nesta segunda-feira (12) uma operação de busca na residência da deputada democrata Ilhan Omar, crítica declarada do presidente Donald Trump.
O Departamento de Justiça informou que a ação faz parte de uma investigação em andamento e um mandado de busca foi cumprido pela divisão de Investigações de Segurança Interna (HSI), sem fornecer maiores detalhes. O HSI é uma divisão do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE). A ação, acrescentou, foi autorizada judicialmente.
As buscas ocorreram justamente em um momento em que ela está nas semanas finais de sua campanha para a reeleição. Omar, de 44 anos, busca um quinto mandato de dois anos na Câmara dos Representantes dos EUA nas eleições de meio de mandato, em 3 de novembro.
Autoridades do governo Trump haviam sugerido diversas vezes a existência de uma investigação contra a deputada de Minnesota.
Uma fonte próxima à investigação afirmou à agência de notícias Associated Press que o caso estaria relacionado a uma suposta fraude imigratória. Parte da apuração diria respeito à documentação de imigração da parlamentar, nascida na Somália, que foi preenchida por seu pai quando ela ainda era criança.
As buscas na residência da deputada democrata representam uma escalada surpreendente em uma investigação criminal em torno da parlamentar, alvo frequente de ataques e de deboche por parte de membros do governo Trump.
Omar é muçulmana e costuma usar o véu islâmico em público. Suas atitudes e postura combativa a tornaram um alvo do movimento Maga (“Make America Great Again”, ou “Torne a América grande novamente”), que tem em Trump seu maior líder.
“Não serei silenciada”, diz Omar
Omar classificou a busca como uma “tentativa de atacar adversários políticos e instrumentalizar as forças de segurança federais”.
“Essa operação do DHS [Departamento de Segurança Interna] de Trump é um abuso de poder ultrajante e uma escalada sem precedentes na instrumentalização das forças de segurança federais para atacar adversários políticos”, afirmou Jacklyn Rogers, porta-voz de Omar, em comunicado.
“Há uma década, Donald Trump ataca implacavelmente a deputada Ilhan Omar com retórica incendiária, colocando repetidamente um alvo em suas costas. Agora, esses ataques evoluíram para uma operação federal sem sentido. A deputada não cometeu nenhuma irregularidade. Nenhum presidente deveria estar apto a usar o poder do governo federal para intimidar seus adversários políticos”, sublinhou Rogers.
“Há dez anos, Trump me ataca com mentiras infundadas e campanhas difamatórias”, afirmou Omar. “Esta é apenas a mais recente escalada em sua campanha de intimidação política. Não serei silenciada.”
Democracia de araque
Ao longo do tempo, os Estados Unidos se consideraram a maior democracia do planeta, exemplo para outras nações construírem sistemas políticos após conquistarem a independência ou se livrarem de regimes autoritários.
Essa retórica ufanista não passa de discurso fraudulento cujo objetivo é anestesiar a opinião pública estadunidense. Nem mesmo no período em que os EUA foram governados por liberais progressistas a democracia se aproximou da plenitude.
Com a chegada de Donald Trump à Casa Branca, a festejada democracia americana foi colocada à prova com a criminosa invasão do Capitólio. Extremistas de direita invadiram o Parlamento incentivados por Trump, que não aceitou a derrota para o democrata Joe Biden.
O retorno de Trump à Casa Branca fez com que a máscara caísse à sombra do mantra farsesco e antidemocrático “Make America Great Again”. Movido por narcisismo esquizofrênico, Donald Trump cria conflitos que corroem os pilares da democracia, sempre na esteira do discurso de que os EUA estão sob ameaça, fórmula que não mais convence.
Essa investida estúpida e desvairada de Trump tem o estrito objetivo de abafar o escândalo sexual liderado por Jeffrey Epstein, que, dizem, cometeu suicídio na prisão.
Ao colocar a estrutura do Estado a serviço de seus devaneios, a começar por perseguição a imigrantes, Trump endossa frase histórica e certeira do ativista americano Malcolm X (1925-1965): “Os Estados Unidos não são uma democracia. São uma hipocrisia.”





