TSE ignora fatos e mantém veto a postagens que ligam Flávio Bolsonaro ao crime organizado

O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, na terça-feira (13), confirmar decisões individuais de ministros da Corte que determinaram a retirada de postagens falsas nas redes sociais contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República.

Entre os casos julgados, os ministros decidiram manter decisão que determinou a derrubada de postagens dos deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ) e Rogério Correia (PT-MG) que apontaram a suposta relação de Flávio Bolsonaro com milícias e o crime organizado.

O plenário também referendou a retirada de postagens que insinuaram apoio de Lula ao crime organizado por ter avalizado um candidato a prefeito alvo de operação da Polícia Federal (PF).

Outras postagens que atribuíram a Lula suposto apoio a facções criminosas, incluindo mensagens para vincular o candidato à reeleição ao PCC e o CV, também tiveram a suspensão mantida.

Judicialização

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, se reuniu com os representantes das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro para demonstrar preocupação com aumento da judicialização das campanhas.

De acordo com o ministro, os processos já superam 200% em relação ao pleito presidencial de 2022, com perspectiva de crescimento.

Flávio e a milícia do RJ

Flávio Bolsonaro tenta vender aos eleitores a falsa imagem da mudança, por esse motivo age para impedir que a verdade sobre sua trajetória política seja escancarada.

Diferentemente do que decidiu o TSE, Flávio, enquanto deputado estadual, empregou em seu gabinete n Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) ninguém menos que Raimunda Veras Magalhães, mãe de Adriano Magalhães da Nóbrega, e Danielle Mendonça da Nóbrega, ex-esposa do miliciano e fundador do “Escritório do Crime”, grupo de matadores de aluguel conhecido na região metropolitana da capital fluminense.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) apontou que familiares de Adriano da Nóbrega repassaram dinheiro para Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, no âmbito do caso conhecido como “rachadinha” na Alerj.

Por indicação de Flávio Bolsonaro, o miliciano Adriano da Nóbrega foi condecorado em duas ocasiões na Alerj, em uma delas tendo recebido a Medalha de Tiradentes, mais alta honraria do Legislativo fluminense. Uma semana depois, o então vereador Carlos Bolsonaro, irmão de Flávio, homenageou Nóbrega na Câmara Municipal do Rio.

Nóbrega era o chefe da milícia que continua atuando no Complexo de Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde, em 2018, quando foi eleito senador da República, Flávio recebeu 8.729 votos, equivalente a 17% dos votos para o cargo.

Adriano da Nóbrega foi assassinado em 9 de fevereiro de 2020, em uma emboscada na cidade de Esplanada, no interior da Bahia. Dias antes, o advogado Paulo Emílio Catta Preta recebeu um telefonema do miliciano, ocasião em que disse temer uma “queima de arquivo”.

O TSE pode decidir como quiser, mas ignorar a ligação de Flávio Bolsonaro com as milícias do Rio de Janeiro é desdenhar a capacidade de raciocínio do brasileiro.