Flávio ainda não explicou o filme cujo custo é o dobro de “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” juntos

Candidato à Presidência da República pelo PL, o senador Flávio Bolsonaro continua sem revelar o destino dos R$ 62 milhões pagos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, por interposta pessoa, para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia mambembe de um golpista fracassado, condenado e preso.

No último domingo (18), durante o debate da Band, o presidente pediu a Flávio que revelasse o destino do dinheiro, mas o presidenciável do PL desconversou e passou falar sobre segurança pública, crime organizado e roubo de celulares. É importante destacar que Flávio recebeu treinamento para atuar de maneira evasiva no confronto.

Dono da Entre Investimentos, o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior foi o operador responsável por transferir US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 62,8 milhões na cotação da época) ao fundo Havengate, sediado no Texas. Os repasses ocorreram entre janeiro e setembro de 2025 a mando do ex-dono do Banco Master.

Conhecido como “Mineiro”, Freixo Júnior afirmou em delação premiada que tentou reverter as remessas financeiras enviadas para o fundo do filme Dark Horse nos Estados Unidos, mas não conseguiu.

É importante ressaltar que enquanto Flávio Bolsonaro foge do assunto, Freixo Júnior corre perigo, pois apenas ele poderá esclarecer o destino do dinheiro, algo que o candidato do PL finge desconhecer, apesar de ter solicitado a Vorcaro a quantia de R$ 134 milhões para o misterioso filme. Diante de tal cenário, Freixo Júnior precisa ser inserido com máxima urgência no programa de proteção a testemunhas.

Quando o escândalo veio a público, Flávio Bolsonaro, movido pela insolência herdada do pai, ousou dizer que não recebeu ou ofereceu qualquer tipo de vantagem a Vorcaro. O senador foi além em suas argumentações e afirmou ser preciso separar inocentes de bandidos. Justo ele que tinha estreita ligação com o miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, fundador do “Escritório de Crime”, grupo de matadores de aluguel com atuação no Rio de Janeiro.

“É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público”, afirmou. No comunicado, Flávio destaca que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, “quando o governo Bolsonaro já havia acabado e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”.

Não bastasse o disparate que é produzir um filme sobre alguém que sempre viveu às custas do Estado e atentou contra a democracia, o valor solicitado por Flávio é no mínimo devaneio. Para se ter ideia do absurdo que representa o valor solicitado a Vorcaro, o longa-metragem “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles e vencedor do Oscar de melhor filme internacional, custou R$ 45 milhões. O valor é considerado alto para os padrões da indústria cinematográfica brasileira, mas no cenário internacional é relativamente baixo.

Continuando a comparação… O longa “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, custou R$ 28 milhões, cifra considerada modesta para uma coprodução internacional. O longa estrelado por Wagner Moura contou com recursos oriundos de quatro países: Brasil, Alemanha, França e Holanda.

Somados, os custos de produção de “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” representam metade do valor pleiteado por Flávio Bolsonaro. Quando Daniel Vorcaro remodelar a proposta de acordo de colaboração premiada, o Brasil saberá a verdade sobre o filho “01”. Em suma, parodiando o senador Flávio Bolsonaro, é preciso separar os inocentes dos bandidos. (Imagens geradas por inteligência artificial)