
Os democratas conquistaram o controle tanto do Senado quanto da Câmara dos Representantes nesta terça-feira (3), com milhões de eleitores expressando uma forte reprovação ao governo do presidente Donald Trump.
Os resultados representam uma mudança profunda no equilíbrio político em Washington e obrigarão Trump a enfrentar um Congresso controlado pela oposição durante os dois últimos anos de seu mandato presidencial.
“Os americanos votaram por mudança, e agora os democratas precisam entregar resultados”, afirmou Chuck Schumer, líder da minoria democrata no Senado.
Com os democratas prestes a controlar ambas as câmaras do Congresso, a capacidade de Trump de levar adiante sua agenda política nos dois anos finais do mandato será significativamente enfraquecida.
É provável que o restante de seu mandato seja consumido por investigações lideradas pelos democratas sobre a sua gestão e os seus negócios e, possivelmente, até por um novo processo de impeachment.
Além de abrir investigações sobre o governo, os democratas poderão barrar projetos de lei e dificultar os planos orçamentários de Trump. Também terão voz na confirmação de altos funcionários do governo e de juízes federais. Um Senado controlado pelos democratas poderá bloquear nomeações de Trump, incluindo eventuais indicações para a Suprema Corte em caso de vacância.

Mesmo assim, Trump continuará tendo consideráveis poderes constitucionais na política externa, uma das áreas em que presidentes lame duck (“pato manco”, expressão usada para definir um mandatário com poder reduzido diante de um Congresso hostil) ainda dispõem de ampla margem de atuação, assim como nas áreas de comércio e tarifas.
Apesar das preocupações dos democratas de que Trump pudesse tentar contestar os resultados eleitorais, como ocorreu em 2020, o presidente aceitou o resultado e parabenizou os democratas em entrevistas.
Das investigações ao impeachment
As expressivas derrotas dos republicanos nas eleições de meio de mandato abrem caminho para investigações e possíveis processos de impeachment que deixariam o presidente republicano na defensiva em seus dois últimos anos no cargo.
A partir de janeiro, espera-se que os democratas usem seu poder para investigar o governo Trump, sua família e seus aliados, além de exigir concessões em projetos legislativos importantes.
Líderes democratas já vinham sinalizando quais seriam seus principais alvos de investigação: as políticas do governo Trump, a conduta de seus integrantes e as relações entre autoridades governamentais e empresas privadas que buscaram influência junto à Casa Branca.
Entre as prioridades estão os negócios da família Trump, a condução das investigações relacionadas a Jeffrey Epstein e alegações mais amplas de corrupção corporativa.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o magnata da tecnologia Elon Musk – que foi um dos principais conselheiros de Trump – estão entre os possíveis alvos de investigações.
Processos de impeachment de Trump e de integrantes de seu gabinete de governo também não podem ser descartados.
“Veto forte”
Uma maioria democrata contará com o controle das comissões parlamentares, orçamentos maiores, mais funcionários e o poder de emitir intimações, obrigando o governo a responder ao Congresso.
Em resposta, a Casa Branca poderá retomar a estratégia usada durante o primeiro governo Trump de retardar o fornecimento de documentos e depoimentos solicitados pelo Congresso e invocar o privilégio executivo para restringir o acesso a determinadas informações.
O presidente já indicou que se prepara para grandes disputas legislativas, mas também afirmou que quer trabalhar com os democratas em temas como imigração. Ele ameaçou vetar quaisquer projetos que considere “insanos”, dizendo possuir um “veto forte”. Na noite de terça-feira, Trump publicou uma foto de seu tradicional boné vermelho com a palavra “VETO”.
Mesmo com a chamada “onda azul”, os democratas não deverão obter a maioria qualificada de dois terços necessária para derrubar um veto presidencial. (Com Deutsche Welle e agências internacionais)



