Gripe “A”

Em meio ao desdém do governo e aos números alarmantes ao redor do mundo, Brasil registra a quarta morte pela doença –

(*) Ana Carolina Castro

Nesta quarta-feira (15), um grupo de cientistas do Imperial College, de Londres, alertou para a precariedade das estatísticas sobre os casos de gripe “A” ao redor do mundo, e afirmou que, sem dados precisos, não será possível planejar o combate à doença. Para os cientistas, a variação nas estatísticas sobre a doença sofrem com a precariedade dos cálculos, que não registram casos “brandos” ou assintomáticos.

Foto: AP - Gregory Bull
Foto: AP - Gregory Bull
Precisos ou não, os dados sobre a gripe “A” no mundo são assutadores: em boletim, a OMS anunciou que na última sexta-feira (10) que a doença já chegava a quase 100 mil casos no mundo, com 492 mortes registradas.
Os Estados Unidos são o país com o maior número de casos (mais de 37 mil), e também com maior múmero de mortes (211). O México, antes em primeiro lugar, agora apresenta 11,7 mil casos da doença, com 121 mortes. Na Argentina, que superou o México e subiu no triste pódio dos países com mais casos da doença, 137 pessoas morreram de gripe “A”, deixando o país atrás apenas dos Estados Unidos.
No Brasil, os números são menores, mas não menos preocupantes. O último levantamento do Ministério da Saúde apontou que os casos de gripe “A” no país chegam a 1027, com quatro mortes confirmadas até então, sendo duas no Rio Grande do Sul e duas em São Paulo. Além disso, o estado do Rio Grande do Sul registra pelo menos quatro mortes suspeitas da doença.
A Secretaria Municipal de Saúde de Passo Fundo comunicou a morte de três pessoas que apresentavam sintomas da nova gripe em hospitais da cidade. Em Santa Maria, o grupo de médicos que atendeu um rapaz de 24 anos também levanta a possibilidade de que ele tenha sido vítima da doença. A confirmação da morte por gripe “A” nesses casos aguarda o resultado dos exames que comprovam a contaminação.
O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, disse durante a reunião ministerial do governo no último dia 13, que o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou sobre a gripe “A”: “Temos o controle absoluto”. Parece que não. Assim como a “marolinha” da crise econômica, a doença tomou proporções muito maiores dos que as previstas.
O presidente Lula da Silva, que desde o início desdenhou a doença, deve estar preocupado com o anúncio da quarta morte por gripe “A”. Durante o programa radiofônico “Café com o presidente” do dia 11 de maio, o presidente – metalúrgico minimizou: “Eu acho que essa gripe não é do tamanho que parecia que ia ser, porque se vendeu uma gripe que já tinha tomado conta do mundo inteiro. Ou seja, eu penso que ela existe, ela é grave, mas aqui no Brasil nós estamos cuidando para evitar que se alastre para outras pessoas”.
Mais do que a ineficiência do nosso controle sanitário, essas mortes revelam que, assim como muitas outras vezes, o presidente prometeu, mas não cuidou.

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