Greve dos caminhoneiros: Justiça nega pedidos de prisão por locaute feitos pela Polícia Federal

A Polícia Federal abriu, por enquanto, 48 inquéritos para investigar a ocorrência de locaute na paralisação dos caminhoneiros e encaminhou vários pedidos de prisão, mas todos até agora foram negados pela Justiça, de acordo com a Agência Brasil.

O locaute ocorre quando empresários usam trabalhadores para obter vantagens financeiras, ação considerada ilegal e passível de punição com prisão e multa. Por conta dos inquéritos, o governo está certo de que donos de transportadoras também estiveram à frente da paralisação.

Os investigadores identificaram que a logística para planejar e manter uma paralisação nacional que já se aproxima, ainda que com menor força, a dez dias foi executada com atenção a detalhes. Os principais entroncamentos rodoviários chegaram a ser fechados, bem como todos os corredores que levavam a refinarias e aos principais aeroportos do País. A rede de suprimentos para os caminhoneiros em greve também se mostrou organizada.


Continua sob apuração das autoridades a ação de infiltrados, já identificados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) com auxílio dos serviços de inteligência, como informou na segunda-feira (28) o diretor-geral do órgão, Renato Dias. O governo voltou a ressaltar este fato na entrevista desta terça-feira (29).

Na segunda-feira, o presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, denunciou que grupos políticos ameaçavam caminhoneiros que desejavam voltar ao trabalho e forçavam a manutenção da paralisação. O objetivo dessas ações, informou a Abcam, seria prejudicar a estabilidade do governo.

A investigação é uma das linhas de atuação do governo federal nesses nove dias de movimento. A outra diretriz é abertura dos corredores de abastecimento para permitir a viagem de comboios, sob escolta da PRF e das Forças Armadas, com combustíveis, insumos para usinas termelétricas, estações de tratamento de água e hospitais, além de alimentos, medicamentos e rações para animais.

A primeira linha de atuação foi a negociação com os grevistas – ação prioritária, considerada já concluída pelo ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Mas o governo sustenta que o diálogo continua aberto com os motoristas autônomos, cujos representantes se disseram satisfeitos com as medidas já efetivadas. (Com ABr)

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